OUTRO RECADO


Por Tribuna

30/10/2012 às 07h00

Em alguns países, as eleições servem também para discussão de temas relevantes, colocados à disposição do eleitor junto com a escolha dos candidatos. No Brasil, a prática é incomum, mas, mesmo assim, as urnas dão outros recados aos políticos. No pleito de domingo, e já valeu para o primeiro turno, foi expressivo o índice de abstenção, isto é, de eleitores que não compareceram ao pleito. É possível fazer várias ilações por conta dessa ausência, mas a principal delas, certamente, é o próprio desencanto com o jogo político. Os partidos não inovam, e o eleitor quer mudanças, como, aliás, ficou explícito em apostar no novo na escolha do prefeito.

O país passa por profundas transformações, tendo assimilado uma nova conformação social, mas várias instâncias ainda não perceberam esse novo status. As urnas apontaram – como já reverberam algumas lideranças – que é hora de mudar propostas e discursos. A reforma política tornou-se uma necessidade tal a pulverização dos votos em siglas de menor porte, muitas delas sazonais, que entram em cena somente de quatro em quatro anos. Como seus dirigentes são hábeis nas articulações, cria-se um quadro artificial de muitos votos em legendas pouco expressivas.

Mesmo com tantas manifestações do eleitor, os políticos ainda não perceberam que é hora de aprofundar o debate e buscar a gênese da insatisfação. No momento em que o Judiciário (STF) é aplaudido por conta do julgamento do mensalão, o Legislativo não se move no sentido de criar mecanismos de proteção da sociedade, instalando medidas de combate à má prática política. A Lei da Ficha Limpa só passou por pressão das ruas, mas nem assim deputados e senadores se entendem na discussão da reforma.

Embora o pleito tenha sido municipal, o eleitor explicitou sua insatisfação, dando mostras de que daqui a dois anos, quando o Congresso estará sob avaliação, o recado pode ser mais enfático, tirando de cena aqueles que não entenderam o novo tempo.