VALOR DA VIDA
As estatísticas avançam em Juiz de Fora acopladas a uma perversa constatação de banalização da vida. Matar ou morrer tornou-se um momento comum na vida de milhares de jovens, muitos deles oriundos de famílias desestruturadas, já criados em ambientes de plena tensão ou desprovimento. Some-se a isso a facilidade de acesso às armas, que resulta em enfrentamentos letais, como os que recentemente a cidade registrou.
Na edição de ontem, a Tribuna apontou outra face do problema: crianças tiradas do lar, ante os riscos que enfrentavam, mas que continuam em perigo. Os casos citados são emocionantes, como o do menino de apenas quatro anos, que, de uma hora para outra, se viu privado da visão e dos movimentos, vítima de disparo de arma na cabeça, embora não fosse ele o alvo. Que futuro o espera; ou quais as chances de crianças espancadas pelos próprios familiares, que ficam à mercê de lares provisórios? Muitos deles, como atestam os próprios depoimentos, em vez de redimirem, agravam a situação dos assistidos.
A boa notícia foi o anúncio do programa Escola de pais, cujo objetivo é resgatar valores, recuperação de autonomia e autoestima de famílias de crianças e adolescentes em acolhimento institucional ou que estejam cumprindo medidas socioeducativas. A maioria dos afastamentos, como revela a matéria, ocorre por inabilidade dos pais em lidar com os filhos. Some-se a isso a principal fonte dos problemas: a falta de educação formal, na qual é possível destacar valores éticos e morais e dar oportunidade de acesso aos bens de consumo.
Parte dos problemas da sociedade pós-moderna é resultante de educação precária e falta de preparo de gerações. Enquanto não houver mudanças, o preço a ser pago será cada vez maior, e as chances de recuperação, bem mais precárias.











