IDAS E VINDAS
O plebiscito para a reforma política, da forma como propõe o Governo federal, tornou-se uma novela de final inesperado ante as trapalhadas das partes envolvidas sobre a data de sua validade. Num primeiro momento, seus resultados deveriam valer para as eleições do ano que vem. O vice-presidente da República, Michel Temer, constitucionalista de profissão, e que não foi ouvido no primeiro momento, jogou uma pá de cal ao dizer, na manhã de quinta-feira, que não havia tempo hábil para a execução. À tarde, pressionado pela presidente Dilma, disse que era possível.
Os encontros e desencontros sobre a consulta popular são formadores de novos desgastes para as instâncias políticas, pois elas não se entendem num momento crítico para o país. Uns entendem que a presidente, depois da rejeitada proposta de Constituinte, tenta passar o problema do plebiscito para o Congresso; outros entendem que o Governo, que tomou decisões importantes sem consultar suas bases e até mesmo o vice-presidente da República, deveria ficar com o ônus da desarticulação.
As próximas horas vão indicar o que virá pela frente, pois nem mesmo os atores desse palco conseguem se entender. Faltam formuladores capazes de centrar o debate, o que resulta num cenário em que ninguém sabe, de fato, o que a presidente Dilma quer e o que é possível fazer. As ruas, agora com pautas específicas em sua agenda, certamente voltarão a reverberar a situação, valendo, pois, a advertência aos políticos: ou se entendem ou, de novo, serão forçados a fazer em dias o que não conseguiram realizar em mais de dez anos.











