JOGO DE CINTURA


Por Tribuna

09/03/2012 às 06h00

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu ontem, sem meias palavras, que o Governo vive um momento tenso, numa alusão ao veto do Senado à recondução de Bernardo Figueiredo à presidência da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), mesmo tendo sido indicado pela presidente Dilma Rousseff. Em nome da governabilidade, a presidente já tinha engolido sapo há uma semana, quando indicou o senador Marcelo Crivella (PRB) para o ministério da Pesca em detrimento do deputado Luiz Sérgio, filiado ao Partido dos Trabalhadores. Na ocasião, ela disse que, por conta de alianças, tinha que sacrificar o amigo.

Em governos de coalizão, o rolo compressor atua para aprovar projetos do Executivo, mas, quando há interesses contrariados – e são muitos -, a moeda de troca sobe de cotação. O veto a Figueiredo, sob o argumento de que ele não tem currículo e ainda passa por várias acusações, foi apenas um aviso de que pode vir mais pressão pela frente, já que o Planalto ainda não resolveu demandas de insatisfação que vão se acumulando. O PMDB, que capitaneou o veto por meio do Senador Roberto Requião, continua inconformado com a divisão do poder, acusando o Partido dos Trabalhadores de ocupar os melhores cargos. Um manifesto assinado por 45 deputados foi entregue ao vice-presidente Michel Temer, que deu guarida aos correligionários.

A presidente Dilma, a despeito dos esforços que tem feito para mudar seu estilo, ainda não tem o jogo de cintura do seu antecessor. O ex-presidente Lula viveu momentos mais tensos, mas transigiu quando foi preciso e acolheu pleitos nas horas críticas. Isso não ocorre na atual gestão. Emendas, que são o cartão de visita dos parlamentares às suas bases, estão retidas, mesmo sendo este um ano eleitoral, período em que os deputados e senadores precisam fazer média com seus prefeitos.

Mesmo com justificadas razões, sobretudo no controle dos gastos, a presidente terá que ceder, sob o risco de, em vez de ceder os aneis, também perder os dedos.