PIZZA NA CÂMARA
O sistema político reage com constrangimento quando se vê diante de afirmações como CPI foi feita para não se apurar nada, que já se tornaram estereótipos, mas não se dá ao dever de avaliar a profundidade da afirmação; ao contrário, continua confirmando a máxima, como ocorreu na última quarta-feira. Um acordo entre os líderes da base governista enterrou de vez os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, que serão concluídos até o fim do ano. Prevista para acabar hoje, a CPI vai se estender oficialmente até o início do recesso parlamentar, no dia 22, para que o relator, Odair Cunha (PT-MG), possa apresentar seu relatório.
Ele não antecipa o conteúdo, mas a não convocação de empresários, como Fernando Cavendish, ex-presidente da Construtora Delta, acusada de ser um dos fantasmas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, e de políticos, como o governador do Rio, Sérgio Cabral, é um prenúncio de uma grande pizza, com indiciados já definidos, entre eles o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e alguns peixes menores. Cachoeira, é fato, será considerado culpado, mas ele já responde na Justiça por outras tantas ações que o mantêm na Papuda, a principal prisão do Distrito Federal.
A regra das CPIs se confirma apenas nas exceções, como a CPI dos Correios, que culminou no processo do mensalão. Depois dela, outras tantas mazelas entraram na pauta e não avançaram. A comissão que investiga o bicheiro é apenas mais uma delas.










