PAUTA DE SETEMBRO
Os protestos que mobilizaram o país em todos os seus quadrantes devem retornar às ruas em setembro. A previsão das próprias redes sociais associa o 7 de setembro ao primeiro passo para a nova primavera. Um dos focos será, certamente, o não cumprimento de uma longa agenda discutida nos atos de junho. As instâncias políticas, relevadas as exceções, ouviram, mas não executaram boa parte do que ficou acertado, apostando no esgotamento da militância. De fato, salvo ações pontuais no Rio de Janeiro e em São Paulo, os demais estados estão em paz. Mas não por muito tempo.
Há questões importantes que ainda não tiveram um desfecho, a começar pelo julgamento do mensalão, retomado ontem, que depende de novos recursos para se chegar ao mérito final. Outra questão envolve os médicos. O país vive prós e contras de uma discussão incessante sobre as contratações de estrangeiros. A classe médica brasileira reage apontando a necessidade de revalidação e, sobretudo, implantação de estrutura adequada para o trabalho. Quem apoia a importação questiona o corporativismo do jaleco, que protesta, mas não vai para os locais onde faltam profissionais.
A esse enredo acrescenta-se, agora, uma nova crise com a Bolívia, por conta do traslado de um senador sem o devido salvo-conduto. Os defensores de razões humanitárias classificam o gesto como heroico; os defensores da hierarquia entendem que o diplomata autor da missão pôs o carro à frente dos bois. A Bolívia cobra explicações, mas esquece que, recentemente, violou espaço aéreo brasileiro ao vistoriar um avião sem a devida autorização. O mesmo país, a despeito da clara dependência econômica, nacionalizou refinarias brasileiras e manteve torcedores brasileiros no cárcere além do tempo permitido em lei. Ontem, o presidente Evo Morales pediu a extradição do senador. A Itália fez o mesmo com Cesare Battisti e não conseguiu. Evo conseguirá?
A pauta de setembro, como se revela, será longa.











