NOVOS MINISTROS
A autorização para os embargos infringentes, que levou o processo do mensalão para o ano que vem, já que os próprios ministros entendem que não há mais tempo para definir a demanda ainda este ano, é resultado da leniência do Legislativo, que engaveta questões importantes de acordo com suas conveniências. Câmara e Senado rejeitaram a supressão de tal benefício, talvez de olho no próprio umbigo, como ora acontece, criando um passivo que agora se torna explícito.
No entanto, a despeito da justificada frustração da opinião pública, é preciso insistir que nem tudo está perdido. O julgamento definitivo do mensalão é questão de tempo, e nem todos os réus vão se beneficiar dos votos favoráveis concluídos com o apoio do ministro Celso de Mello. Somente aqueles que tiveram, no mínimo, quatro votos resistentes voltarão à pauta. Os demais, dependendo do acórdão, passarão a cumprir pena brevemente.
É certo que os réus mais notórios terão uma segunda chance, e a composição do Supremo não será a mesma que lhes condenou. Os dois ministros recém-aposentados – Ayres Brito e Cezar Peluzzo – tinham uma posição distinta de Teori Zavascki e Luiz Roberto Barroso, que já se mostraram mais abertos aos argumentos da defesa. Mas é preciso exercer o benefício da dúvida, uma vez que acolher recursos em nome da ampla defesa não foi e não é o mesmo que julgar o mérito. E é aí que as ruas devem estar de olho.











