ELEFANTE BRANCO


Por Tribuna

18/05/2013 às 07h00

Ainda no mandato do ex-prefeito Francisco Antônio Mello Reis foi estabelecido o Plano Diretor da Cidade Alta, que definia prioridades para ocupação e de mobilidade. Embora a BR-440 seja um projeto de 20 anos, já na administração de 1977 a 1982 havia planos para a ligação. Mello Reis era um visionário. O que ocorreu depois acabou perdendo espaço pela não atualização do projeto. Na sua gênesis, não havia o Vale do Ipê, hoje uma barreira a mais na ligação com a Avenida Rui Barbosa, e nem os bairros que hoje ficam no entorno da rodovia. Quando da retomada, havia necessidade de traçar rotas de acordo com o novo cenário geográfico, algo que não foi feito e que gerou o impasse, sobretudo a partir do campo do Nova União. Nem o Dnit sabe o que fazer a partir dali.

De qualquer modo, é necessário concluir o trecho até a BR-040, não só para criar uma nova opção de escoamento, mas também para resolver o que hoje tornou-se um problema coletivo. O que seria uma rodovia tornou-se via opcional para quem está disposto a cortar caminho ou fazer caminhadas. Com via urbana, apenas um arremedo. Ademais, como a Tribuna mostrou na edição de ontem, trata-se de um trecho que liga o nada a lugar algum.

São, pois, louváveis os esforços para ligar a rodovia à BR-040, mas é preciso que outras instâncias também atuem. O projeto, que consumiu rios de dinheiro, teve muitos adversários, inclusive na instância política, mas hoje tornou-se irrevogável a sua conclusão, sob o risco de se criar uma opção pior do que há. O Departamento Nacional de Infraestrutura tem que fazer a sua parte, acelerando a licitação, a fim de acabar de vez com o imbróglio criado pela própria instância de poder quando topou fazer a obra. O que não pode é repetir o cenário de projetos inacabados, com elefantes brancos que só consumiram dinheiro público e cuja paralisação prejudicou única e exclusivamente a população.