ACERTOS FINAIS
Os próximos dias são decisivos para os acertos finais dos partidos, com vistas às eleições municipais de outubro, pois termina no sábado, dia 30, o prazo para a realização de convenções. Nelas, as legendas definem os candidatos e os eventuais acordos, o que faz da semana um fervedouro de negociações. Pequenos e grandes partidos se ajeitam para tirar proveito do horário eleitoral e tentam fechar as contas sobre eventuais performances dos candidatos. Trata-se de uma rotina que se repete de quatro em quatro anos, mas que nunca soa como um déjà vu, já que, além de os personagens serem outros, o modo de articulação nem sempre é igual. Este ano, por exemplo, ocorreram embates preliminares que podem ter repercussão na própria campanha. Salvo nos tempos em que era uma federação ou no período em que tinha líderes como Itamar Franco, Sílvio Abreu Júnior e Tarcísio Delgado sob o mesmo teto, mas com discursos distintos, o PMDB não passava por uma disputa tão intensa como nos últimos dias. Resolveu? Em tese sim, mas o tempo é que dirá o que virá pela frente.
Campanhas municipais têm uma marca própria, pois envolvem, não apenas o viés ideológico – este, aliás, já sendo abandonado em nome de acordos -, mas também a paixão, na qual se misturam interesses pessoais, enfrentamentos tradicionais e busca pelo poder. Por isso, as composições não são forjadas de uma hora para outra, carecendo de muita inspiração e, sobretudo, de boa vontade para se chegar a um acordo. A semana servirá para isso, mesmo se sabendo que as legendas com propensão a candidaturas majoritárias já têm seus pretendentes consolidados. A questão é o vice e as coligações que ainda estão sendo discutidas.
Distante desse processo, o eleitor deve, no entanto, já ficar atento para o que será dito. O que menos se fala em pré-campanha é programa de governo. Alguns partidos elaboram documentos provisórios e ficam por isso mesmo. A cidade passa por um período de transformação e deve estar consciente de que a gestão é fundamental para enfrentar as novas demandas que se apresentam. Já não vale mais o debate paroquial – embora seja importante – num tempo em que os interesses estão conectados em rede e dispersos pelas instâncias municipais, estaduais e federais.










