NOVO RUÍDO


Por Tribuna

31/03/2012 às 06h00

Uma semana depois de se encontrar com a presidente Dilma Rousseff e de sair dizendo que o Brasil faria uma Copa do Mundo excepcional, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, voltou a falar grosso contra o país. Em reunião da entidade, em Zurique, disse textualmente em entrevista coletiva: Pelo menos votaram a Lei Geral no Congresso. A bola está com eles agora. Queremos atos, e não mais só palavras. Ou o presidente da Federação teve um ataque de bipolaridade ou algo mais que a opinião pública não sabe está em curso. As críticas pontuais ao atraso das obras e aos detalhes de ordem técnica já foram bastante explorados, mas tudo teria sido sanado na reunião com a presidente.

Não se desconhece o timing das construções dos estádios, muitas delas atrasadas por entraves legais. Não podia, porém, ser diferente, porque está em jogo um volume acentuado de recursos. São milhões de reais que estarão percorrendo caixas de empreiteiras e governos dos estados para execução de projetos. Num cenário desse, todo cuidado é pouco, pois é grande o risco de corrupção. O Tribunal de Contas da União, em mais de um caso, exigiu revisão de concorrências sob a suspeita de facilitação. Explica-se, em parte, o motivo de atraso de algumas obras, mas daí até Blatter voltar a vociferar há uma grande distância, pois não há fato novo nas suas razões. De fato, a bola está com os brasileiros e com o Congresso, que, até por uma questão de ofício, deve analisar com cuidado uma legislação que, em alguns casos, pode ir contra a própria soberania da Constituição Federal.

É certo que o Brasil, quando se habilitou a ser a sede da Copa, comprometeu-se com as regras da FIFA, mas nada impede que projetos que contrariem a Carta Maior sejam avaliados. O caso da venda de bebidas nos estádios não é tão simples, pois há legislação específica no país e nos estados. Mudá-la, agora, pode gerar passivos perigosos, mesmo um dos principais patrocinadores da competição sendo uma cervejaria. Em casos polêmicos, é melhor, sempre, discutir e buscar a melhor saída.