FORA DA AGENDA
No final do ano passado, ainda na gestão do deputado Lafayette Andrada, a Secretaria de Estado de Defesa Social anunciou que, meses depois de o projeto estar instalado em Belo Horizonte, as cidades do interior receberiam as operações da Lei Seca. Seis meses depois, a própria Seds refez seu calendário e marcou os trabalhos para agosto. Na edição de ontem, porém, a Tribuna revelou que as blitze diárias foram adiadas, devendo começar somente em novembro. Não houve explicações formais, mas, de novo, a cidade fica à reboque dos próprios fatos, como tem sido recorrente em outras ações da mesma secretaria.
A campanha de combate à combinação volante-bebida alcoólica já é uma realidade nas grandes cidades, e em Minas, além da capital, também atinge municípios da região metropolitana. Mas não passa daí. As blitze que ocorrem em Juiz de Fora são de iniciativa das unidades locais, especialmente nos dias críticos, a partir de quinta-feira, sobretudo nas madrugadas, mas diferem da campanha que tem tirado do volante os motoristas que ousam passar dos limites. Vira e mexe, o noticiário aponta alguma celebridade colhida pelos agentes, numa clara demonstração de que não há distinção. Além disso, são operações com grande estrutura que visam, antes de tudo, manter o viés pedagógico da campanha de redução da violência no trânsito.
As blitze, segundo dados estatísticos, têm efeito positivo na queda do número de acidentes, mas são apenas uma etapa do principal projeto que é a conscientização definitiva dos motoristas. O país é recordista em acidentes, e, nas áreas urbanas, o uso de bebida tem sido um dos principais fatores, pois induz a outros tipos de delito, como excesso de velocidade. O adiamento do projeto, portanto, não penaliza a cidade como instituição, mas a própria comunidade que defende a paz no trânsito, ora sob risco pelos abusos que são cometidos.










