JOGO DE IDENTIDADE
A visita de uma comissão especial a conglomerados do programa Minha casa, minha vida, agendada para hoje, a fim de verificar as causas de tantos problemas, especialmente na segurança, é importante, mas ela deve ser despida de preconceitos, para que se aproxime mais da razão para tantos enfrentamentos. É certo que há questões que saltam aos olhos, mas é vital ir mais fundo em sua análise, a começar pelo fenômeno da identidade.
Na concepção do programa, os técnicos, mesmo eivados de boas intenções, não levaram em conta o fenômeno que tem sido causa de tantas outras demandas. Comunidades distintas, quando colocadas no mesmo espaço, tendem a evocar o pertencimento, isto é, domínio do território, levando ao choque que tem sido marca nesses condomínios. As sociedades da modernidade tardia são caracterizadas pela diferença: elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de diferentes posições.
Para unificá-las são necessárias medidas que já deveriam ter sido adotadas ainda na implantação do projeto, como áreas de convivência, postos de saúde, escolas, igrejas e, também, segurança. Caso contrário, o choque será permanente, gerando ocorrências que podem comprometer um programa pronto para ser bem-sucedido, principalmente por realizar a conquista da casa própria, o sonho comum da maioria dos brasileiros.











