GUERRA URBANA


Por Tribuna

28/04/2013 às 07h00

A violência urbana continua sendo um desafio para a racionalidade humana. Em São Bernardo do Campo (SP), uma dentista foi queimada viva por ter apenas R$ 30 na conta bancária. Os assaltantes invadiram seu gabinete, quando ela atendia um paciente, tomaram-lhe o cartão e iniciaram um giro por caixas eletrônicos. Quando voltaram, indignados pela baixa quantia, jogaram álcool e colocaram fogo na mulher de 42 anos. Fugiram em seguida.

Cenas como essa são parte dos gestos insanos que estão sendo incorporados ao cotidiano das metrópoles. Enquanto o Congresso e o Supremo discutem suas vaidades, nas ruas pelo país afora há uma guerra urbana que deveria fazer parte da agenda das duas instâncias de poder. Longe disso, porém, o que se vê é o permanente olhar para o umbigo, como o projeto que tenta impedir a criação de novos partidos, ou o que passa para o Congresso a competência para avaliar os atos finais do STF.

Juiz de Fora inaugurou no início da semana uma nova frente de combate à violência com o anúncio do projeto Olho vivo, que dispõe sobre a instalação de câmeras de vigilância em pontos estratégicos da cidade. Trata-se de um avanço considerável, mas é necessário deixar claro que não será, a partir daí, o estado da arte. O enfrentamento à violência demanda ações permanentes, boa parte delas distante da instância policial.

Quem pratica atos como o de São Bernardo, por exemplo, deveria estar apartado da sociedade há tempos, mas outras ocorrências são fruto da cultura do jeitinho ou do deixa para depois, próprias do cotidiano. As pequenas infrações são desconsideradas, embora sejam a porta de entrada para grandes delitos. Investir forte na educação é uma ação de longo prazo, mas que vale a pena, como provam os resultados de países que tiveram essa preocupação. Por outro lado, se nada for feito, o risco de guerras urbanas e populações isoladas é grande, como, aliás, já ocorrem em diversas regiões.