CAÇA AO VOTO
Como já era de se esperar, passado o carnaval, os políticos colocam o bloco na rua e abrem a temporada de caça aos votos. Trata-se de uma rotina que se repete de dois em dois anos, dando margem a toda série de especulações. Em Juiz de Fora, o vereador Isauro Calais, que tem planos de disputar a Prefeitura pelo PMN, encontrou-se com a professora Margarida Salomão, que vai, de novo, tentar o mesmo cargo pelo Partido dos Trabalhadores. Em Belo Horizonte, como o próprio anunciou pelo Twitter, o presidente do PSDB estadual, deputado Marcus Pestana, tomou café da manhã, na sexta-feira, com o prefeito Márcio Lacerda (PSB) para tratar da repetição da vitoriosa aliança de 2008.
Conversar faz parte do jogo, e é assim que se faz a boa política, mas nada indica, pelo menos por enquanto, que os atores do jogo estão definidos. No domingo passado, a Tribuna mostrou a disposição dos deputados Júlio Delgado (PSB) e Bruno Siqueira (PMDB) de conversarem, pois há entendimento de que separados vão praticar o que os políticos chamam de abraço de afogado, isto é, se os dois forem para o páreo, correm o risco de não ultrapassar a linha de chegada. Mas esse cenário também é de especulação, já que outros personagens estarão em jogo e ainda não se manifestaram tão abertamente, a começar pelo prefeito Custódio Mattos (PSDB), titular do cargo, que tem feito diversas reuniões, mas ao estilo mineiro do silêncio.
Como as convenções só vão ocorrer na virada do semestre, e os acordos nem sempre dependem dos personagens locais, é possível especular, mas não mais do que isso. Desde a implantação do sistema de coalizão, as alianças partidárias têm se definido mais em Brasília e Belo Horizonte do que nas bases, ao contrário de outros tempos, quando o embate tinha fortes conotações locais. Hoje, por interesses maiores, os dirigentes têm colocado goela abaixo dos diretórios uma série de alianças que não apresentam nenhuma coerência, mas que fazem parte do jogo principal, no qual eles, de fato, estão mais interessados.










