ALÉM DA LINHA


Por Tribuna

18/08/2012 às 07h00

Ninguém ignora que o Supremo Tribunal Federal, até por força do modo como são preenchidos seus postos – por indicação do presidente da República -, tenha um viés político, mas, passada a posse, seus ministros devem ter uma atitude republicana e sóbria, sobretudo por se tratar da última instância jurídica do país. Mas não é o que se vê no julgamento do mensalão, cujo processo, por si só, revela alta dose de política pelo currículo dos envolvidos. Os ministros estão saindo dos autos para discussões menores, algumas fruto de pura vaidade, outras, de intransigência.

Antes mesmo do julgamento, várias situações apontaram para essa carga de estresse que seria deflagrada em plenário. O encontro do ex-presidente Lula com o ministro Gilmar Mendes, e o embate recorrente entre os ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, atiçados pelo também ministro Marco Aurélio de Mello, ampliam ainda mais a tensão.

Se depender da opinião pública, inclusive por ser uma catarse coletiva, os réus estão previamente condenados, mas não é dessa forma que a Justiça se move, a despeito de não ser infensa ao clamor das ruas. O julgamento dos mensaleiros deve ser técnico, principalmente para garantir aos cidadãos que a Corte age com plena isenção em suas avaliações. Mas para isso, os próprios magistrados devem ser serenos. Debates são importantes em qualquer instância, porém, pelo menos em alguns momentos, a linha da razoabilidade está sendo ultrapassada.