PAPEL DE POLÍCIA


Por Tribuna

21/03/2012 às 06h00

Por conta de uma denúncia do programa Fantástico, no último domingo, e ampliada nos demais noticiários da Rede Globo durante toda a segunda-feira, o país está, de novo, indignado com a corrupção nos órgãos públicos. Desta vez, foram facilitações em concorrências, nas quais o pagamento de propina era uma rotina. Um repórter, passando-se por gestor de um hospital, foi cooptado por empresários interessados em levar o butim, mas por vias transversas à boa concorrência.

Como resultado, já na segunda-feira foram anunciadas diversas medidas, entre elas o cancelamento das licitações. O Ministério Público e a Polícia Federal entraram no caso e, em Brasília, os partidos iniciaram a coleta de assinaturas para a confecção de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Não é a primeira vez que a imprensa faz o papel de polícia, apresentando ao público um submundo de negociatas, no qual vale o por fora. A Procuradoria da República disse que já vinha suspeitando das ações dos envolvidos, mas não avançou na investigação.

A dúvida é saber até quando vai esse sentimento e no que vai dar toda essa mobilização das autoridades. Quando o mensalão veio à tona, o país parou, dois deputados foram cassados – José Dirceu e Roberto Jefferson – e ficou por aí mesmo. Sete anos depois, o Supremo Tribunal Federal já admite que o julgamento, em vez de maio, pode ser jogado para o segundo semestre deste ano.

Há falta de controle generalizado nas instâncias públicas, e as chamadas agências reguladoras, que deveriam cobrar eficiência dos gestores, tornaram-se moeda de movimentação política, perdendo também sua eficiência. Por isso, mais um escândalo deve apenas encher a semana. Desta vez, não no Carnaval, mas pela Semana Santa, tudo deve voltar ao seu lugar, após o feriadão, até o surgimento de novas denúncias.