PRECISA JULGAR


Por Tribuna

01/04/2012 às 06h00

Corre no território livre da internet uma espécie de abaixo-assinado cobrando pressa ao Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. O projeto depende, agora, de um relatório do ministro Ricardo Lewandowski, a ser feito com base no trabalho do relator, ministro Joaquim Barbosa. Há suspeitas, e daí a manifestação na rede mundial, de um novo adiamento do processo, que deveria ir a plenário ainda neste primeiro semestre. O mensalão é de 2005, e os únicos condenados, mesmo assim, na instância política, foram os deputados Roberto Jefferson (PTB) e José Dirceu (PT), que tiveram seus mandatos cassados. Os demais tocam suas vidas como se nada tivesse acontecido.

Respeitados os prazos e a complexidade do caso, o STF não pode, de novo, adiar o julgamento, sob o risco de deixar em dúvida sua própria ação. Sete anos é tempo suficiente para se cumprirem todas as etapas de um processo, sobretudo por conta de sua magnitude e importância ao olhar da opinião pública. O resultado do voto dos ministros será referência para o bem ou para o mal, já que se trata de um caso emblemático para o próprio modo de conduta das instâncias públicas. As acusações são mostras de uso indevido do dinheiro público e das relações promíscuas envolvendo agentes públicos e políticos, num jogo de trocas que contraria princípios morais e éticos.

Enquanto não ocorrer uma sentença de mérito, fica suspenso todo o debate sobre a conduta no serviço público, que, depois desse episódio, produziu outros escândalos. Agora mesmo, o país discute a situação de um senador da República, que, durante anos de mandato, mascarou-se como um dos paladinos da moralidade. Também entra na agenda a denúncia de doação cobrada por um partido político a um empresário que vendera barcos ao Ministério da Pesca. Em nota, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que teria recebido a doação para sua campanha ao Senado, negou o fato. Tem o benefício da dúvida, mas é mais um episódio a ocupar o debate nacional.