CULTURA DO MEDO


Por Tribuna

11/03/2012 às 06h00

Quem viu a primeira página da Tribuna na edição de sexta-feira, na qual a foto principal é de uma passarela vazia, enquanto dezenas de pessoas esperam a passagem do trem, pode ter feito uma leitura distorcida dos fatos. De fato, soa como um contrassenso ficar esperando o trem passar quando há meios de vencer o obstáculo de modo mais rápido e seguro. A comunidade está envolvida pela cultura do medo, uma vez que, em diversas regiões, tais passagens, em vez de acessibilidade, são pontos de pedágio, isto é, passar pode, mas tem que pagar. Além disso, como atesta a própria polícia, é comum ver jovens se drogando em tais estruturas.

As autoridades de trânsito e de segurança advertem que as passarelas são um meio rápido e seguro para evitar as passagens de nível. E têm razão, uma vez que Juiz de Fora, com uma malha ferroviária passando por toda a sua extensão, só tem dois pontos sem obstáculos por conta dos viadutos Augusto Franco – extensão da Avenida Itamar Franco, antiga Independência – e Ramiro Gonzalez, nas proximidades da Becton Dickinson. Nas demais, o pedestre tem que cruzar os trilhos se não usar a passarela.

Como tirar o trem é uma demanda de longo prazo, é preciso conciliar ações. Induzir os pedestres a usar as estruturas é importante, pois vira e mexe, como, aliás, foi mostrado na própria edição, há atropelamentos, mas é necessário, também, que o Poder Público, para romper essa cultura do medo, faça a sua parte com ações pontuais da polícia e com iluminação em pontos cegos e ermos, como a que liga a Rodoviária Miguel Mansur à Avenida Bernardo Mascarenhas. Dessa forma, será possível exigir uma postura adequada de quem rejeita a segurança.