CAUSA COMUM


Por Tribuna

02/05/2013 às 17h21

Num cenário de liberdade econômica, o mercado determina as opções das empresas, como foi o caso da Azul/Trip, que, sem maiores explicações, mas baseada nesse critério, pediu autorização à Anac para encerrar suas operações no Aeroporto Regional Itamar Franco e mudar os voos de São Paulo para Campinas, além de fechar a rota para Belo Horizonte. A decisão compromete a vida de milhares de usuários que terão que enfrentar a perigosa BR-040 para Belo Horizonte ou buscar a ponte aérea no Rio de Janeiro.

No entanto, decisões técnicas nem sempre são definitivas quando o próprio mercado reage. O abraço ao Aeroporto Itamar Franco programado para amanhã, por iniciativa de lideranças políticas da região e respaldado pela deputada Margarida Salomão – o que não impede a participação de outros políticos -, é o primeiro passo para mobilizar a instância política, a quem será dada a palavra final. O ministro Moreira Franco, se for devidamente sensibilizado, poderá dizer à empresa que o mercado implica bônus e ônus, não podendo, porém, comprometer a vida dos usuários.

Para dar certo, porém, o movimento conta com a participação coletiva, na qual a vaidade pessoal deve ser colocada em segundo plano. Trata-se de uma causa de interesse comum, o que, portanto, não permite omissão por interesses dessa ou daquela liderança. O fato de a parlamentar petista ter tomado a frente não significa impedimento para a participação dos demais parlamentares da região, com mandato tanto em Brasília quanto em Belo Horizonte. A Zona da Mata precisa mudar sua postura se quiser ocupar o estágio que lhe é devido nas instâncias decisórias. Há cerca de dois anos, aí por ação direta do deputado Marcus Pestana (PSDB), foram realizados vários fóruns regionais para analisar as demandas dos municípios. No início, o quórum foi amplo, depois, salvo os abnegados e o setor produtivo, a maioria saiu de cena. Quem perdeu, de novo, foi a própria região.

As causas bem-sucedidas, como têm sido as do Triângulo Mineiro, partem do princípio de que a vontade geral, como aponta a máxima de Rousseau, deve prevalecer sobre a vontade particular. Uberlândia, que já andou atrás de Juiz de Fora no viés econômico, saltou à frente por iniciativa de seus líderes, o que pode ser feito também na Zona da Mata, desde que essa vontade coletiva prevaleça.