SEDE VACANTE


Por Tribuna

05/03/2013 às 07h00

O Conselho de Cardeais, reunido ontem no Vaticano, deu início à sucessão de Bento XVI como líder máximo da Igreja. Foi, é fato, a primeira reunião, mas ela se tornou emblemática pelas próprias circunstâncias: trata-se da sucessão de um Papa vivo. À distância, no bucólico Palácio de Castel Gandolfo, o emérito não vai se meter nas discussões, mas sua figura, certamente, estará presente nas discussões, até mesmo como referência. Com base no que foi especulado no fim de semana, os cardeais, e não só o sucessor de Pedro, querem ter acesso ao temido dossiê que expõe as entranhas da Igreja e que teria motivado o cardeal Ratzinger a pedir as contas. Terão acesso?

Esse é o primeiro ponto polêmico que passa longe dos milhões de fiéis, mas que terá importância vital no futuro da instituição. Há tempos, os católicos têm convivido com escândalos que ainda não tiveram uma solução definitiva. Ora é a questão da pedofilia, ora são as contas do Banco do Vaticano, que não fecham. O pontífice, por não ser apenas um pescador de almas mas também gestor de uma das mais poderosas instituições, tem que estar ciente do que ocorre, mas ainda não se sabe se vai dividir o ônus com o colegiado.

A sede vacante com um Papa vivo é algo inédito nos últimos seis séculos, mas deve servir para mudanças importantes que se fazem necessárias, uma vez que, além dos citados escândalos, há demandas importantes a serem resolvidas. O número de católicos, especialmente na Europa, tem caído ostensivamente, da mesma forma que o secularismo e outras seitas estão em ascensão. Temas, pois, não faltam para o primeiro encontro dos cardeais.