GRANDE IRMÃO
O livro 1984, de George Orwell, que retrata o Big Brother, o Grande Irmão que vê tudo, teve um crescimento de vendas de 7.000% em apenas um dia na Amazon, a maior varejista on-line de livros do mundo. A razão seria a revelação do gigantesco esquema de monitoramento de dados de telefone e internet realizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e que divide a opinião dos americanos. Uma parte acha que, para enfrentar o terrorismo, romper a privacidade é uma necessidade. Outra entende ser essa um direito inalienável, sendo, pois, um gesto ilegal adotado pelo Governo. A discussão, no entanto, não se esgota nas fronteiras do Norte, uma vez que a esse tipo de invasão, mesmo que não ocorra em termos fantásticos como os proporcionados pela tecnologia dos EUA, ocorre em outras escalas pelo mundo afora.
A legislação, em boa parte, é permissiva, por exemplo, quando se tratam de e-mails corporativos, dando direito ao empregador de ver o que o colaborador está escrevendo. Por outro lado, com o advento das novas tecnologias, a privacidade tornou-se uma questão discutível, pois os próprios usuários estão se expondo cada vez mais na busca da visibilidade imediata. É fato que agem de moto próprio, mas os compartilhamentos ampliam o leque das informações, criando um grande cenário em que se tornou uma questão permeável.
No caso da matéria revelada pelos jornais The Guardian e Washington Post, o argumento oficial passa pela segurança do Estado, já que alguns segredos estavam vulneráveis a partir das revelações do ex-agente da CIA Edward Snowden. Mas é necessário ver que nem todos vivem o mesmo contexto dos EUA, onde a segurança nacional é uma norma sólida, porém da mesma forma que a liberdade de expressão e de privacidade, que são cláusulas pétreas. Em países como o Brasil, esse tipo de avaliação também se faz necessário, sobretudo, em defesa da cidadania. Em nome de interesses de Estado tem se cometido abusos de toda sorte, sendo, pois, necessário dar à sociedade o direito de discutir.











