VIAS URBANAS


Por Tribuna

26/11/2013 às 07h00

Na edição de domingo, a Tribuna abordou dois temas que acabam se encontrando: a Área Azul, que terá um novo modelo a partir de maio de 2014, e os pontos de ônibus, que já passaram por pesquisa, mas ainda continuam precários no Centro e nos bairros da cidade. Em comum, a mobilidade urbana, que precisa de avanços em Juiz de Fora. Num município cuja cultura ainda é a de resolver todas as pendências na área central, o estacionamento é estratégico. Por falta de opção, os usuários são induzidos a procurar locais cujos preços são bem mais elevados do que os das ruas, embora esses estejam defasados.

Nos pontos de ônibus, especialmente ao final do dia, é possível ver a situação dos pedestres à espera dos coletivos. Amontoados nas calçadas, vivem o drama diário de uma cidade que passou anos sem investir nesse setor. A Avenida Getúlio Vargas é a face mais exposta desse problema, com calçadas intransitáveis, pois não há outros locais para se esperar o transporte. Por tratar-se de uma avenida com alta demanda de veículos, a situação se agrava no ciclo das águas, indicando para a necessidade de investimentos de médio e longo prazos.

A mobilidade urbana tornou-se um dos principais desafios das administrações públicas, pois os municípios não se prepararam para o cenário com mais carros e mais pessoas pelas calçadas. Em Juiz de Fora, o Centro concentra o maior número de trabalhadores e estudantes, além de ser ponto de baldeações para outros bairros. O ideal seria a redução do número de carros de passeio, com ênfase para o transporte público, mas é necessário não só incentivar a descentralização como também investir em estacionamentos, inclusive subterrâneos, a fim de desobstruir as ruas, como é o caso da Batista de Oliveira entre Santa Rita e São João. Num trecho de cerca de cem metros, convivem carros em movimento, pessoas a pé e fora das calçadas – estas, sempre lotadas -, carga e descarga e estacionamento de motocicletas.

A despeito da criação de novas frentes de negócios nos bairros, especialmente na Cidade Alta e Zona Norte, Juiz de Fora ainda cultiva o velho hábito de concentrar suas principais demandas na área central, por conta da característica de shopping center a céu aberto. Daí, o desafio de conciliar os novos tempos com um movimento crescente de veículos e gente sem aumentar os espaços de locomoção.