IMAGEM MANCHADA
Com o registro sistemático de estupros que vence o tempo, a Índia está se defrontando com o problema da evasão de turistas, numa clara reação a uma prática que o Estado não coíbe como devia. Ao contrário, salvo agora, quando os culpados estão sendo punidos, mas persiste o histórico de se colocar a mulher em segundo plano. Há um preço, pois, a pagar quando 25% de estrangeiros desistiram de visitar o país.
O Brasil tem uma cultura diferente, mas se não tomar providências, terá problemas idênticos. O estupro de uma turista americana na semana passada foi o sinal de alerta para as autoridades, embora outras vítimas brasileiras já tenham feito relato semelhante. Uma jovem, que foi violentada em fevereiro pelo mesmo grupo, compareceu à polícia e contou o seu drama. Crimes de tal magnitude são de extrema gravidade e devem ser combatidos não apenas pela repercussão externa, mas por conta do que ocorre posteriormente com a própria vítima.
No caso exterior, a imagem do país fica manchada, e ocorre num momento inoportuno. O Rio de Janeiro, onde ocorreu o episódio, será sede no meio do ano da Jornada Mundial, que pretende reunir milhões de jovens de todas as partes do planeta para um evento de fé. A Copa das Confederações, da qual a cidade será uma das suas sedes, também ocorre a partir de julho.
Lindo e maravilhoso, o Rio tem um longo passivo a ser resolvido nas instâncias de segurança e mobilidade. A despeito dos esforços, ainda há muito o que fazer; situação semelhante, aliás, das demais cidades brasileiras, que viram o tempo passar sem que providências fossem tomadas. Recuperar o tempo perdido é uma missão difícil, que seria evitada se os dirigentes tivessem preocupações claras com o futuro.











