FATO POLÍTICO
A decisão do ministro Joaquim Barbosa de não acolher o pedido de prisão preventiva dos réus do mensalão, formulado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não implica recuo do Supremo Tribunal Federal e, muito menos, indício de ter sido intimidado pela reação do presidente da Câmara, Marco Maia, que prometeu dar abrigo aos colegas deputados para evitar sua ida para o cárcere. O presidente do STF, como bem mostrou em suas justificativas, agiu dentro dos parâmetros da lei, já que não havia e nem há, por enquanto, dados concretos para justificar a prisão. O processo, embora já julgado, ainda é passível de recursos, e nenhum dos réus mostrou disposição em sair do país. O caso entrará pelos primeiros meses de 2013, devendo consolidar-se com sentença definitiva somente no segundo semestre.
A postura do ministro Joaquim Barbosa, que agiu como presidente e não como relator, joga por terra também a tentativa do deputado Marco Maia de criar um fato político. No crepúsculo do mandato, ele tentou, por várias vezes, estabelecer uma situação de confronto entre os poderes para se apresentar como um defensor da instituição. Falou sozinho, pois deixou clara a ideia de que jogava para a plateia, quando admitiu dar abrigo aos parlamentares. Em regimes autoritários faria sentido o gesto de defesa do Legislativo, mas a condenação ocorreu por meio de um processo legal, no qual todos tiveram o amplo direito de defesa, e sem o viés político que marcou as prisões nos tempos de chumbo.
O presidente da Câmara deveria ter tido o mesmo zelo com a imagem da Casa ao tomar conhecimento da CPI do Cachoeira, que terminou em pizza, ou na absolvição pelo conselho de ética da instituição de uma deputada flagrada recebendo dinheiro de propina. Em nenhuma dessas situações ele se apresentou para os eleitores, deixando claro o espírito corporativista que continua presente na vida pública do país.











