PÚBLICO E PRIVADO


Por Tribuna

27/11/2012 às 07h00

Há um velho ditado que, se bem observado, pode servir de âncora para a avaliação de personagens da vida pública. Diz que se queres conhecer o caráter de um homem, dê-lhe o poder. Com poucas mudanças, é possível entender o envolvimento sequencial de personagens de reputação ilibada – outros nem tanto – em escândalos nas estruturas de Governo. O caso mais recente tem como um dos personagens a chefe do escritório da presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha. Já exonerada pela presidente Dilma, foi indiciada sob suspeita de corrupção, algo extremamente grave para quem ficava na porta ao lado do poder. A Polícia Federal já avisou que há outros graduados em sua mira, só não tendo sido envolvidos nesta rodada de prisão para não tumultuar as investigações.

O país ainda discute a dosimetria dos réus do mensalão, e outro escândalo entra na ordem do dia, contando ainda com a possível participação de lideranças políticas. O deputado Valdemar Costa Neto, condenado ontem pelo Supremo Tribunal Federal a uma pena de sete anos e dez meses – escapando por pouco do regime fechado -, é acusado de ser ligado a Paulo Rodrigues Vieira, apontado pela PF como chefe da quadrilha presa na sexta-feira, sob a acusação de ter montado um esquema de corrupção em agências reguladoras e órgãos federais.

Para não ficar apenas no Governo, mas também no poder, só que da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Polícia Federal, em outra operação, desta vez intitulada Durkheim, deteve, na madrugada de ontem, o vice-presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, que passou a madrugada sendo ouvido pelos agentes. Foram presas 33 pessoas por suspeita de venda de informações sigilosas e crimes contra o sistema financeiro. O dirigente, que também é presidente da Federação Paulista de Futebol, foi liberado, mas está no inquérito aberto para apurar as suspeitas.

A relação de poder com ilícito é tênue, sobretudo quando se confunde público e privado. O patrimonialismo é um velho ranço brasileiro que continua perpassando o tempo sem uma solução definitiva. A legislação é precária, dando margem a essa série de mazelas. Com as penas do mensalão, espera-se que alguma coisa tenha mudado. A conferir.