VIA POLÍTICA
A topografia de Juiz de Fora é um desafio constante para os veículos de grande porte que, vira e mexe, envolvem-se em ocorrências. Recentemente, uma cegonheira – caminhão que transporta automóveis para as concessionárias – não conseguiu fazer a conversão da Rua Doutor Romualdo para a Avenida Rio Branco, no Centro. Em situação semelhante, outra ficou encalhada na altura do Bairro Santo Antônio ao tentar fazer um retorno. Na tarde de quinta-feira, foi a vez de um caminhão com equipamentos de som tombar na Avenida Itamar Franco (antiga Independência) perto do Hospital Monte Sinai. Em todos os casos, a repercussão foi só no trânsito. Na ocorrência de quinta-feira, algo mais grave poderia ter ocorrido não só pela circunstância como pelo local. Um veículo de tal porte, descendo em ré de modo desgovernado, poderia provocar uma tragédia.
Tirar os caminhões do Centro é estado ideal, mas haveria o comprometimento do serviço de carga e descarga. Já é tempo de as autoridades começarem a discutir a elaboração de horários alternativos para veículos de grande porte, a fim de evitar a divisão de espaço com automóveis em momentos críticos do trânsito. No caso de quinta-feira, a pista de subida ficou fechada até a noite, obrigando a remoção dos ônibus para outras vias, e induzindo os usuários de automóveis a buscarem novas alternativas.
Juiz de Fora paga o preço de não ter um anel rodoviário. Se houvesse, o caminhão procedente de Cataguases teria vindo por outros caminhos, chegando ao campus sem passar pela área central. Todo o fluxo da região vindo pela MG-353 não encontra outra alternativa a não ser ingressar na malha urbana, ocorrendo o mesmo com os veículos procedentes da BR-267.
Saturadas pelo excessivo número de automóveis, as metrópoles, entre elas Juiz de Fora, precisam de ações sistemáticas para minimizar o impacto no trânsito, mas em situações como essa, em que até o movimento de fora faz da área urbana um ponto de passagem, é necessário buscar respaldo no Ministério dos Transportes, pois não é de hoje que o problema se agrava.
As opções apresentadas continuam no papel, e as articulações políticas entraram em compasso de espera, a despeito do viés suprapartidário que marcou eventos como a Agenda Regional. É hora, pois, de cobrar medidas, já que o tempo de projetos está acabando.










