PÉS NO CHÃO
Embora o país só volte a funcionar na quarta-feira, e em Brasília provavelmente só na semana seguinte, há expectativas sobre os novos arranjos políticos que devem ocorrer nos próximos dias dentro e fora da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai analisar as ações do contraventor Carlinhos Cachoeira. O Governo, por ter maioria, escolheu o presidente e o relator, ambos de sua confiança e sem perfis para o barulho. A oposição, por meio do governador Marconi Perillo (PSDB) – que pediu para ser investigado – ainda não delimitou seu papel. Tudo indica que Cachoeira será o único investigado, e a Delta, construtora preferida de dez entre dez governadores e o Governo Federal, só será avaliada na sua relação com o bicheiro. Mais do que isso, não. Tais pistas foram dadas pelo próprio relator, senador Humberto Costa (PT-PE), ao estabelecer limites na sua ação.
Não se espera acordo entre governistas e oposição, uma vez que a linha do entendimento foi ultrapassada, mas o fato de haver incertezas dos dois lados sobre o que pode surgir, fez com que os políticos colocassem os pés no chão. Há um consenso de que boa coisa não vai sair da CPI. Num cenário em que não se sabe o tamanho da influência de Cachoeira e nem, muito menos, para quem a construtora trabalhou, há riscos de mais fumaça do que fogo.
Os políticos, no primeiro momento, não avaliaram as possibilidades de uma investigação de foco aberto, só percebendo, agora, que todos estão no mesmo barco. A opinião pública, porém, é que, agora, cobra a conta. Já que anunciaram profunda investigação doa a quem doer, como foi dito por vários oradores, que mostrem os resultados.










