INVERSÃO DE VALORES
Em artigo assinado no caderno Voto & Cidadania do último domingo, a convite do jornal, o presidente da MRS Logística, Eduardo Parente, chama a atenção dos candidatos para a importância de se colocar o futuro na sua agenda, em vez de se apegarem a questões menores, que podem agradar a plateia, mas não significa, necessariamente, o ponto principal para uma cidade do porte de Juiz de Fora. Ele enfatizou a importância da educação e ressaltou que os investimentos têm que ser feitos agora, para que não haja arrependimento no futuro. Parente citou experiências vitoriosas e ações de institutos especiais apontando saídas para o problema.
A defesa da educação é fundamental em todas as frentes, e o engenheiro tem razão em considerar que não dá para esperar. Neste mesmo espaço, a Tribuna tem ressaltado o cenário de preocupação que acomete boa parcela da sociedade, sobretudo em função da violência que atinge uma faixa que vai até os 29 anos, especialmente. O advento das gangues, que agora medem suas diferenças com o uso de armas de fogo, é parte do problema. Os jovens estão sendo formados em ambientes em que a educação foi colocada em segundo plano, a começar pelo espaço familiar, no qual não há cobrança. Ao contrário, professores da rede pública, principalmente, têm sido assediados por pais irados quando seus filhos são advertidos pelo mestre. Os alunos sempre estão com a razão, e o professor errado.
Essa inversão de valores é típica de uma sociedade que descredenciou o papel do mestre. Educar não é um processo simples, mas é a forma mais adequada para garantir o futuro da sociedade, pois, acima de tudo, ela liberta, porém, dá responsabilidades. O jovem de hoje está sendo forjado sem bússola, entendendo ser ele o centro de tudo, sem olhar o outro e, muito menos, com ele se preocupar. Não se trata de nenhum discurso moralista, mas é preciso estar atento, pois pela educação se encontra um norte, algo que falta hoje, fruto, em muitos aspectos, da inação das lideranças.










