COTA FEMININA
Pela primeira vez em sua história, Juiz de Fora terá um expressivo número de candidatas a vereador, de acordo com o estabelecido pela Justiça Eleitoral. Se, em outros pleitos, houve flexibilidade, desta vez os partidos são obrigados a destinar 30% de suas vagas para o sexo feminino. Sem concessões. Quem não cumprir a meta fica fora do pleito. O resultado são 136 mulheres na disputa por uma vaga na Câmara Municipal.
Maioria da população em todas as regiões, as mulheres não repetem essa proporção na vida pública, ainda árida na questão de gênero. A Câmara de Juiz de Fora teve, no máximo, duas vereadoras por legislatura. Nos 159 anos do Legislativo local, a primeira mulher só tomou posse em 1964. Vera Faria ocupou o cargo entre 20 de janeiro de 1964 e 16 de janeiro de 1968. A galeria de fotos de mulheres vereadoras, no Palácio Barbosa Lima, é menor do que a de políticos que presidiram a Casa.
Não há ainda uma explicação convincente, salvo pela abordagem machista que as mulheres tentam reverter há anos. O mercado de trabalho é prova material: os homens, mesmo em cargos semelhantes, continuam ganhando mais. O jogo está sendo virado, mas a política ainda tem um longo caminho a ser trilhado. A desproporção se verifica também nas demais instâncias – assembleias e Congresso – indicando a necessidade não só de engajamento, mas também de conscientização de que o gênero não define o mandato e sim a competência.










