AGENDA DECISIVA
A ausência de lideranças internacionais não deve inviabilizar a Rio+20, que entra na sua principal etapa esta semana. O problema está na relutância dos países do chamado primeiro mundo em acolher programas ousados de controle do meio ambiente, forçados que são, sobretudo, pelos grandes interesses. São bons nas palavras, mas, na hora de se colocar na mesa o que deve ser feito, evitam tomar providências.
Em seu discurso amanhã, a presidente Dilma deve cobrar ação desses líderes, principalmente no combate à extrema pobreza e deve cobrar também compromisso para conter as mudanças climáticas, a despeito da crise econômica. Ela, também, deverá abrir mão de prazos, jogando decisões para 2015, em função do impasse europeu, que tem levado a economia para margens de riscos cada vez mais maiores.
É fundamental, porém, que o evento não seja marcado pelo fracasso. Ao cobrar atitudes, mas gerenciando o tempo, o Governo brasileiro atua dentro de uma margem razoável, embora não deva abrir mão das principais causas. Desde a Eco-92, os países desenvolvidos têm um compromisso não cumprido de combate à pobreza. Nestes últimos 20 anos, as práticas foram tímidas, e o resultado é visto não só nas ruas, mas nas ondas migratórias que acabam afetando exatamente esses países.
No varejo, a Rio+20 deve tirar lições internas para o desenvolvimento de políticas ambientais. As cidades precisam ter iniciativas de combate à poluição dos rios e de tratamento de seu lixo e de seu esgoto. São causas locais, mas que prestariam grande favor ao mundo se fossem levadas adiante.










