AÇÃO E REAÇÃO


Por Tribuna

18/12/2012 às 07h00

O publicitário Marcos Valério, condenado a penas que chegam a 40 anos, pelo mensalão, fez novas denúncias, numa clara tentativa de reduzir a punição e praticar o que os políticos bem conhecem como abraço de afogado: levar alguém junto para o fundo do poço. Foi uma tentativa vã, pois, como em outras vezes, ele muito falou, mas não apresentou provas, o que é fundamental em tal situação. Fez denúncias na base do ouvir dizer, levantando suspeita das próprias procuradoras. Valério, no entanto, diz que tem mais.

Sua atitude já era esperada, mas a reação dos envolvidos não foi melhor. Usando o que a lógica chama de falácia de relevância, recorreram ao velho e bom argumentum ad hominem, no qual o melhor caminho é desqualificar o acusador, sem se prender ao conteúdo das denúncias. Valério, agora, já é chamado de criminoso, mentiroso e outros adjetivos, alguns impublicáveis, por conta de suas declarações.

Não há certeza sobre o custo desse enfrentamento, mas fica claro que os desdobramentos podem ser penosos. Tais como as comissões de inquérito, episódios como esse seguem o mesmo caminho: todos sabem como começam, mas ninguém tem certeza sobre o desfecho. O que deveria ser, agora, uma questão judicial, está descambando para um jogo de ações e reações imprevisíveis, no qual os dois lados correm o risco de cair em armadilhas.

Quem fica à mercê dos próximos eventos, porém, é a opinião pública, que tende a comprar as informações da forma como são vendidas. Assim, cria-se um preocupante cenário em que a versão prevalece ao fato por conta dos próprios atores que não se preocupam em dar um basta nesse jogo.