VOTO CONSEQUENTE
Quando cerca de dois milhões de eleitores endossaram o projeto da Ficha Limpa, forçando o Congresso a aprová-lo e o Governo federal a sancioná-lo, o que se exerceu, naquele momento, foi cidadania plena, na qual o povo expressa sua opinião e explicita sua posição ante os eventos da sua pólis. O texto, ora em vigor, tem sido a bússola para a Justiça Eleitoral tirar de cena aqueles que estão em débito com a lei.
Hoje, porém, a questão central é o voto – procuração dada pelo eleitor aos políticos que estão na disputa eleitoral. Os milhões de brasileiros que vão às urnas terão uma oportunidade única de eleger seus representantes nas prefeituras e câmaras municipais, sob a perspectiva de que, em seu nome, irão atuar pelos próximos quatro anos.
O eleitor, porém, deve ser alertado de que ir às urnas não é apenas um simbolismo, e sim um ato de fundamental importância para o processo democrático. Voto não tem preço, tem consequências. Esse mote, pedra de toque de movimentos em defesa da probidade na vida pública, deve ser uma máxima coletiva. Comprar e vender o voto são atos ilícitos e, sobretudo, imorais, pois fraudam a real vontade do eleitor e comprometem a verdadeira representação, que deve ser forjada na boa prática e em torno de boas propostas para a sociedade. Se há algum tipo de barganha, essa deve ser feita apenas com a própria consciência.










