MELHOR EDUCAR


Por Tribuna

25/02/2012 às 07h00

Levantamentos apresentados pelas polícias rodoviárias Federal e Estadual, indicam que, durante o período de carnaval, em comparação ao ano passado, houve uma redução no número de acidentes. Essa é a boa notícia. A má é que, mesmo com essa queda, o número de mortes continua preocupante, pois os acidentes estão cada vez mais graves. São várias as causas, que passam desde a qualidade das estradas – a maioria em situação precária – à confiança excessiva dos motoristas. Além disso, os veículos são mais velozes, e o conhecido popular de mil cilindradas é apenas a porta de entrada para o primeiro carro. Depois disso, aumenta-se a potência.

A indagação a fazer é a seguinte: os motoristas estão preparados para esse cenário? Provavelmente não. Quando a estrada é boa, a velocidade torna-se um elemento corriqueiro, dobrando o número de ocorrências. Só assim é possível, por exemplo, explicar o excessivo número de acidentes na Avenida Deusdedit Salgado, portão sul da cidade. Não passa um mês sem que alguém atropele um poste e provoque o efeito dominó, como se viu na tarde de quinta-feira. Há sinalização e até mesmo redutores, mas nem assim o número de casos diminui.

É possível ver situações semelhantes na BR-040, no trecho privatizado entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Alguns pontos mais parecem pista de corrida, tal a velocidade imposta pelos usuários mais apressados, mesmo sabendo que lugar de correr é autódromo, e esse é um recado que deveria ser dado a partir das autoescolas na fase de formação dos novos motoristas. Sem educação de trânsito, ignorando os princípios básicos ensinados por essas mesmas escolas, diversos condutores agem como se fossem os únicos no trânsito, tornando-se um risco permanente.

O Governo deveria insistir nas campanhas de esclarecimento por se tratar do tipo de ação que deve ser permanente. Mas também há sua cota. As estradas brasileiras, com poucas exceções, são armadilhas constantes, ora pelos buracos e pela falta de sinalização, ora pelos acostamentos precários. As duas rodovias federais que cortam a região são pródigas nesse aspecto, com o agravante – como na BR-040, em Santos Dumont – de ter quatro viadutos em curva, sem previsão de construção de outros mais modernos.