EFEITO COLATERAL


Por Tribuna

03/08/2013 às 07h00

Encerrando a série sobre a violência, na qual o foco, desta vez, são as tentativas de homicídios, a Tribuna aponta para um dado que nem sempre entra no debate sobre o tema: o efeito colateral. Na maioria das vezes, ele se restringe às famílias, que, de fato, ficam devastadas com as perdas. Mas numa avaliação mais ampla, os danos também afetam a sociedade como um todo, a começar pela rede hospitalar. Nos fins de semana, sobretudo, a demanda nos hospitais continua em curva ascendente, comprometendo o atendimento aos demais pacientes. De acordo com a reportagem, os hospitais, especialmente o HPS – porta de entrada da maioria das ocorrências -, têm que remanejar profissionais para atender ao volume de pessoas que precisam de atendimento.

Este drama, ora em discussão em Juiz de Fora, não se esgota na cidade. Com o aumento das ocorrências, e aí também valem os acidentes de trânsito, a rede hospitalar não tem dado conta. O Governo também faz contas, uma vez que muitos desses casos culminam em aposentadorias precoces por invalidez, que comprometem ainda mais o caixa da combalida Previdência Social.

Desta forma, a análise da violência tem vários componentes que ampliam ainda mais a lista de ações do Estado. Políticas de enfrentamento devem ir além do viés repressivo, carecendo ser adotadas também na prevenção – o que significa ações sociais -, a fim de reverter um cenário cada vez mais preocupante e que, hoje, não se restringe mais às grandes metrópoles.