NOVOS MARAJÁS
O salário dos políticos sempre foi uma caixa preta. O Legislativo, depois de anos de pressão, estabeleceu regras proporcionais, isto é, o deputado estadual ganha um determinado percentual do federal, enquanto os vereadores, seguindo a mesma regra, baseiam seus vencimentos em relação ao deputado estadual. Mas para por aí. Os valores agregados, tipo auxílio-paletó, verba de gabinete e outros detalhes, ficam por conta de cada casa, deixando o eleitor sem saber. A situação melhorou nos últimos anos por força da transparência exigida por lei. Ante o olhar das ruas e, de certa forma, constrangidos por tantos penduricalhos, diversas câmaras municipais – inclusive a de Juiz de Fora -, assembleias e até mesmo o Congresso resolveram cortar na carne. Não tanto quanto se esperava, mas bem mais do que ocorre nos cargos executivos. Como a Tribuna apontou na edição de domingo, o salário dos prefeitos mineiros tem discrepâncias de toda ordem e, na maioria das vezes, contra a própria lógica: proporcionalmente, os das cidades de menor receita recebem mais do que os que dirigem municípios de médio e grande porte.
A razão, como observam especialistas das Ongs Contas Abertas e Transparência Brasil, está na falta de mobilização comunitária e, sobretudo, da leniência das câmaras municipais. Se em cidades do porte de Juiz de Fora, por exemplo, os vereadores têm um papel fiscalizador mais aguçado, sobretudo por estarem sistematicamente sob os holofotes da opinião pública, nos municípios menores não há esse tipo de pressão. A vida pública se desenvolve sob o signo do maniqueísmo do ser a favor ou contra. E na hora do salário dos edis e dos prefeitos, a maioria fecha os olhos.
O grave desse enredo é que não há ilegalidade. A legislação brasileira é permissiva, dando margem a esse tipo de abuso moral. Resta, então, ao público externo exigir mudanças, como fez no fim dos penduricalhos dos legislativos.











