FORA DE HORA
Quando ocorreu um impasse na formação do Partido Popular (PP), liderado pelos cardeais da política mineira Tancredo Neves e Magalhães Pinto, este último, instado a explicar o que estava acontecendo, usou da velha sabedoria das montanhas: não há desentendimento, mas falta entendimento. Melhor não poderia ter sido a explicação, pois, dias após, houve acordo, e a legenda foi autorizada a funcionar. Na ocasião, o entrave era interno, ao contrário do que hoje ocorre, quando o Governo, por meio de sua base, age para evitar o surgimento de novas legendas.
Trata-se de uma questão que tem nome e sobrenome: Marina Silva e Paulo Pereira (Paulinho da Força), que pretendem criar a Rede e o Solidariedade respectivamente, que terão papel importante nas eleições do ano que vem. A ex-ministra, que teve expressiva votação em 2010, será fator fundamental para um eventual segundo turno. O líder sindical, por conta do seu prestígio entre os trabalhadores, será cortejado por todos os candidatos.
A criação de partidos, que no Brasil ocorre sem qualquer discussão ideológica, é de fato uma demanda importante para ser resolvida. O Congresso, ao rejeitar facilidades para novas legendas, foi no caminho certo, mas errou no timing. Se houve tempo suficiente para estabelecer restrições, agir agora, às vésperas de uma eleição nacional e com claros interesses, soa como um contrassenso.
O debate, inevitavelmente, vai para o Judiciário, já que a oposição e as próprias legendas que estão para ser criadas já recorreram da decisão. E aí, surge, de novo, o velho processo de interferência de um poder sobre o outro. O paradoxo, porém, é que foi o próprio Legislativo, desta vez, quem pediu.











