COMEÇA 2013
Como os festejos de carnaval ocorreram no início de fevereiro, é possível dizer que somente agora começa verdadeiramente o ano no Brasil, embora muitos fatos já tenham marcado 2013, como a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado sob o signo da dúvida ética, as chuvas de verão e, no meio da festa, a inédita renúncia de um Papa para os três continentes americanos. Afinal, quando o último pontífice renunciou, em 1415, nem Cabral nem Cristóvão Colombo tinha avistado o novo mundo.
No Brasil, o que se espera, agora, é a retomada da discussão política que andou emperrada por conta da eleição interna do Congresso. A reforma política, agenda constante dos parlamentares, mas que não avança, precisa ganhar rumos, sob o risco de, em havendo aprovação, não valer para as eleições do ano que vem, quando o mesmo Congresso estará sob o crivo das urnas. As leis têm um rito próprio, e muitas delas precisam ser aprovadas com um ano de antecedência. Assim, a reforma, se for para valer no ano que vem, tem que passar pelo Legislativo até outubro. Algo pouco provável.
Na instância local, o prefeito Bruno Siqueira começa a enfrentar os desafios próprios de um governo municipal que chegou sob o signo da renovação. Vencida a montagem em tempo recorde do carnaval e das ações, ora em curso, de combate à dengue, tem desafios importantes pela frente. Um deles é o impasse com os professores, cuja categoria tenta inaugurar a primeira greve de 2013 se não houver acordo. No entanto, é no campo estrutural que o eleitor está de olho. As obras anunciadas pelo governo anterior, e que acabaram não saindo, tornaram-se um desafio para a gestão em vigor, embora essa não tenha feito nenhuma promessa nesse sentido.
Trata-se, porém, de uma questão que se torna cada vez mais aguda com os sistemáticos problemas de mobilidade. A frota continua em crescimento, induzindo o Governo a medidas automáticas nesse setor. E aí, os viadutos e túneis se tornam necessários. O prefeito, é fato, age com bom-senso ao dizer que não fará obras sem dinheiro, argumentando que elas devem ter começo, meio e fim programados, mas é fundamental cobrar de Belo Horizonte e de Brasília a liberação de recursos. E é aí que entram os deputados estaduais e federais, que, até então, deram sua solidariedade, mas nem todos a explicitaram em gestos práticos.











