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Coluna 03 07:00:00-07-2011

Por PAULO CÉSAR MAGELLA

FUTURO POLÍTICO

A morte do presidente Itamar Franco, embora encerre um ciclo da política, ainda terá desdobramentos, pois seu papel nas eleições, sobretudo em Juiz de Fora, sempre foi fundamental. Apoiou Custódio Mattos em 1992, quando este obteve o seu primeiro mandato, e ficou com Tarcísio Delgado, contra Custódio, quatro anos depois. Venceu nas duas. Para 2012, havia grande expectativa sobre o seu papel. O deputado Bruno Siqueira, do PMDB, é o político com mandato que mais proximidade tinha com ele, sendo considerado por todos como seu herdeiro político, mesmo em legendas distintas. Como ficará o grupo de Itamar é a indagação que começa a ser feita. O senador Aécio Neves, em depoimento ontem, também lembrava o papel do ex-presidente em sua vida política, mesmo sendo neto de Tancredo Neves. Foi Itamar que o fez governador e já o tinha lançado à Presidência da República, e Aécio retribuiu investindo em sua campanha para o Senado. Ambos foram eleitos.

Novo nome

O prefeito Custódio Mattos envia, ainda esta semana, mensagem à Câmara dando o nome de Itamar Franco à Avenida Independência. E há motivo. Foi na sua primeira gestão, entre 1967 e 1970, a construção desta que é uma das principais artérias da cidade. O córrego que passa sob a via foi canalizado e fez-se a ligação até a Praça Antônio Carlos. Mais tarde, já no segundo mandato, concluído por Saulo Pinto Moreira, começou sua conclusão, a partir da Rua Padre Café até a subida do Lacet.

Discrição

Quando Ayrton Senna morreu, Itamar Franco, então presidente da República, adotou a máxima discrição, enquanto boa parte do mundo político buscava os holofotes. Compareceu ao velório de madrugada, acompanhado apenas de alguns assessores. Os jornais, em função do horário, não registraram o evento na edição seguinte, mas o fato foi ressaltado pela própria família do piloto pelo fato de ele abrir mão da importância do cargo e se postar como um cidadão comum à beira do caixão.

Contra a fome

Como o próprio ex-presidente Lula reconheceu, através de nota, as primeiras ações de combate à fome começaram na gestão de apenas dois anos de Itamar. Implementou o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e engajou o Governo federal no combate à fome com o apoio da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, junto ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Nesse mesmo período, convidou o bispo Dom Mauro Morelli para levar adiante um ousado programa na instância social.

Maior bancada

Itamar fez sua primeira tentativa eleitoral em 1962, mas não conseguiu eleger-se vereador. Em 1966, tornou-se prefeito e ainda fez o sucessor, Agostinho Pestana, para o mandato tampão de 1970 a 1972. Voltou à Prefeitura, mas ficou até abril de 1974, quando se desincompatibilizou para disputar o Senado. Foi eleito quando o MDB fez a sua maior bancada no Senado Federal. A repercussão no Governo foi tanta que, no pleito seguinte, depois de fechar o Congresso, o presidente Geisel criou a figura do senador biônico.

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