O voto que livrou a cara do deputado Natan Donadon (ex-PMDB) da cassação, embora secreto, acabou virando matéria da internet ontem, quando blogs, como os de Fernando Rodrigues e do Pannunzio, divulgaram a relação dos políticos que ajudaram na absolvição do parlamentar de Rondônia. São três listas: a dos que votaram contra a cassação, a dos que estavam presentes na Câmara, mas se ausentaram do plenário para não votar – o que ajudou na absolvição – e a dos que estavam ausentes da sessão e da própria Câmara. Neste último caso está o deputado Marcus Pestana. Ele estava em Juiz de Fora em razão do sepultamento, no mesmo dia, de seu cunhado Wilson Marques Júnior, morto em acidente na BR-040. De acordo com a lista, estavam na Câmara, mas não votaram, os deputados mineiros Toninho Pinheiro (PP), Luiz Fernando Faria (PP), Leonardo Quintão (PMDB), Miguel Corrêa (PT), Newton Cardoso (PMDB), Renzo Braz (PP) e Odair Cunha (PT). Os deputados Marcos Montes (PSD) e Bernardo Vasconcelos (PR) estão na lista dos que votaram contra a cassação. Os deputados Margarida Salomão (PT) e Júlio Delgado (PSB) votaram pela cassação.
SECRETO, MAS NEM TANTO
Protesto
Em Juiz de Fora, a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil emitiu nota de protesto, assinada pelo seu presidente, Denilson Closato, pela decisão da Câmara. A entidade diz ser inadmissível o resultado da votação secreta na Câmara dos Deputados, pois vai na contramão do sentimento popular brasileiro, que vem dando demonstração inequívoca de querer ver o país passado a limpo. A Câmara virou as costas para a vontade popular e manteve o mandato do deputado Natan Donadon. É uma vergonha faltarem 24 votos para a cassação.
Na Justiça
Bastou o ministro Marco Aurélio, do STF, admitir, em conversas informais, que a Justiça pode ser acionada para reformar a decisão do plenário da Câmara para vários partidos se articularem. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), iria protocolar ontem mesmo um mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal contra o procedimento adotado pela Mesa Diretora da Câmara para a votação da cassação do mandato do deputado Natan Donadon (sem partido-RO). Mais um problema para azedar de novo a relação entre Congresso e Supremo.
Mais espaço
Os vereadores, a despeito da importância da iniciativa, ficaram incomodados com o prefeito Bruno Siqueira ter anunciado diretamente para as lideranças de bairros os investimentos que fará até 2015 para resolver demandas de asfaltamento e de infraestrutura de 13 regiões da cidade. Na última terça-feira, o prefeito teve ao seu lado apenas o presidente da Câmara, Julio Gasparette, considerando que ele representava os demais. Na sessão noturna, no mesmo dia, alguns vereadores advertiram que quem vota mensagem do Executivo são os vereadores, e não as lideranças.
Construção
O desconforto também chega à Mesa Diretora da Câmara, mas por outras razões. O presidente, Julio Gasparette, tem insistido no apoio do prefeito ao projeto de construção da nova sede do Legislativo, mas ainda não obteve o respaldo. Bruno teria dito que pretende, primeiro, sanear os cofres públicos, pagando a dívida de cerca de R$ 40 milhões, herdada da última administração. A presidência da Câmara continua suas conversas com um banco na busca de financiamento, podendo negociar até mesmo um andar para instalação de uma agência, mas mediante aluguel.




