EFEITOS DO MENSALÃO
Uma indagação frequente nos meios políticos passa pelo julgamento do mensalão, que entra na pauta do Supremo Tribunal Federal na próxima quinta-feira. Os efeitos do processo na campanha eleitoral tornaram-se um exercício de imaginação de políticos, analistas e leigos e só serão percebidos à medida que os fatos forem apresentados à opinião pública. A única certeza será o esforço dos partidos em torno da demanda. A oposição, como faz parte do seu papel, irá estabelecer ligações diretas entre o fato e a campanha, para levar a discussão para cima dos palanques. A base do Governo seguirá caminho inverso, no sentido de mostrar que eleição para prefeito e vereador é uma coisa, e mensalão é outra. Outro segmento vai argumentar que o mensalão é uma peça de ficção, não tendo a dimensão dada, sobretudo pela mídia. Ontem, ainda houve esforços para adiar o julgamento, mas eles não chegaram, sequer, à agenda dos ministros, ficando apenas no campo das possibilidades.
Fora do ar
O Calçadão, principal espaço de reverberação política, continua distante dos eventos eleitorais. Pelo menos até a semana passada. Os dois primeiros sábados de campanha não tiveram qualquer evento na Rua Halfeld. A argumentação dos partidos é a falta de recursos para começar uma campanha tão cedo. Como a Tribuna apontou, a maioria dos candidatos pretende colocar o bloco na rua só a partir de agosto, mesmo assim, na segunda quinzena. Por enquanto, só a sola do sapato está sendo gasta nos encontros em bairros.
Entrevista
A Tribuna prossegue amanhã com a série de entrevistas com os candidatos, aberta domingo passado com o representante do PMDB, Bruno Siqueira. Desta vez, o entrevistado é o tucano Custódio Mattos, que tenta a sua primeira reeleição. Quando ocupou a Prefeitura, entre 1992 e 1996, não havia essa possibilidade. Na conversa com os repórteres da Tribuna – que será retratada também em fotos e em ilustrações -, Custódio fala dos desgastes naturais do cargo e não ignora temas críticos, como as obras de mobilidade anunciadas pelo então governador Aécio Neves na campanha passada.
Sem pauta
A Confederação Nacional dos Municípios tem uma visão pessimista sobre as atividades do Congresso no segundo semestre. É histórica a queda do número de sessões deliberativas neste período, porque tanto deputados quanto senadores ficam por mais tempo nas bases eleitorais para apoiar a candidatura de apadrinhados políticos. Este ano, 75 parlamentares são candidatos, o que deu margem a um comentário do presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski: se todos eles, que esperam ser prefeitos, se juntassem para pedir aprovação dos royalties, o projeto poderia ser aprovado.
Também aqui
Situação idêntica pode ser observada na Câmara Municipal. Neste caso, as razões são objetivas: todos os vereadores voltarão às urnas para se submeterem ao julgamento do eleitor. Num cenário em que a política anda de mal com a opinião pública, face aos escândalos, o trabalho é dobrado, pois é costume colocar-se todos os candidatos sob a mesma perspectiva. Poucos se arriscam a prever o percentual de renovação, mas é certo que nem todos voltarão no ano que vem tal o grau de dificuldade que está sendo detectado no pleito deste ano.





