BOLA DIVIDIDA
Uma das discussões recorrentes nos bastidores da política envolve a sucessão de 2013. Com a presidente Dilma Rousseff com o prestígio em baixa, haveria espaço para um volta Lula? Alguns segmentos investem nessa possibilidade, enquanto outros entendem que o ex-presidente não entraria numa bola dividida nesse momento, pois estaria passando recibo à sua própria escolha. Do lado da oposição, a questão é saber quem vai se cacifar como interlocutor das insatisfações e se tornar o nome mais em conta para enfrentar o Governo. Lideranças do PMDB, que estão bastante aborrecidas com a presidente e com o PT, não acreditam na reedição da aliança de 2010, mas ainda não viram um nome capaz de fazer o partido mudar de lado. Por enquanto, na avaliação popular, somente Marina Silva ganhou espaço, enquanto o senador Aécio Neves e o governador Eduardo Campos continuam nos mesmos patamares, salvo mudanças pequenas e pontuais. Por enquanto, os institutos não voltaram às ruas para aferir os dados, mas é certo que as equipes já se mobilizam para essa avaliação.
Pela volta
Na busca de nomes para o pleito de 2014, os pruridos de volta não se esgotam apenas em setores do PT, que tentam convencer o ex-presidente Lula a se candidatar. Entre os tucanos, lideranças ligadas ao ex-governador José Serra entendem que ele se tornou o nome mais viável para enfrentar Dilma Rousseff, como mostraram as últimas pesquisas. É com esses números nas mãos que vão retomar conversas internas para mudar o quadro, hoje favorável à candidatura do senador Aécio Neves. Admite-se até mesmo a possibilidade de mudança de partido. Por isso, outubro será emblemático.
Novos atores
De fato, o mês, que marca um ano antes das eleições, será definidor também para o surgimento de novos atores. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, nome em alta na cotação das ruas, tem negado uma possível candidatura apenas de forma protocolar. Mas não tem filiação. Uns entendem ser esta a razão de falar sobre candidatura avulsa, alvo, porém, que está fora da discussão política. Se tem mesmo interesse em ser candidato, terá que apor sua assinatura em alguma ficha de filiação. Ontem, porém, já entrou no fogo cruzado por ter viajado ao Rio às custas do dinheiro público.
De consenso
Em Minas, outubro não é a data definitiva, mas o senador Aécio Neves deu até novembro para a escolha do candidato do Governo à sucessão de Antonio Anastasia para enfrentar o ministro Fernando Pimentel, nome de consenso do Partido dos Trabalhadores e que já está em campo em busca de votos e alianças. Os deputados Marcus Pestana e Dinis Pinheiro, ambos do PSDB, e o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP) são os cotados. Mas o jogo ainda depende da posição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda. Se ele topar, vira nome de consenso com aval de Aécio.
Pela eficácia
Repercutiu na Câmara a nota do Painel de ontem, sobre pedido de representação realizado pelo vereador Noraldino Júnior (PSC), solicitando à Câmara Municipal de Santa Cruz do Arari, na Ilha de Marajó, no Pará, para apurar denúncias de maus tratos contra animais. A curiosidade que o pedido despertou nos vereadores se tornou motivo para debate sobre a ineficácia dos processos de representação encaminhados pela Casa, uma vez que, segundo os parlamentares, muitos são encaminhados, mas poucos são respondidos.




