ESTADO E VIOLÊNCIA
As ocorrências envolvendo adolescentes, cada vez mais frequentes, não surpreendem o cientista social André Moysés Gaio, da Universidade Federal de Juiz de Fora. A pedido do Painel, ele levantou oito questões que considera fundamentais. 1 – Enquanto não for implementado um programa que crie grêmios estudantis em todas as escolas, não haverá solução. Quando se cria um grêmio, os alunos passam a se dedicar às atividades recreativas e políticas e aumentam os laços sociais entre eles. 2 – É preciso que as escolas fiquem abertas nos fins de semana para desenvolver atividades que envolvam a comunidade. 3 – Precisamos de um projeto de mediação de conflitos. A Secretaria de Educação não toma qualquer iniciativa, mas a juíza da Vara da Infância e Adolescência nos pediu um projeto-piloto para três escolas particulares, municipais e estaduais, que sejam as mais violentas para iniciar tal projeto. 4 – Sem anuência das autoridades municipais e estaduais, nada será feito. 5 – Os conflitos entre jovens de grupos maiores e menores estão atingindo resultados práticos porque as armas de fogo estão disponíveis. Os resultados das brigas estão cada vez mais letais por isso.
Sem secretaria
A sexta observação de André Gaio diz que novamente a Zona Norte aparece como vilã, mas não é bem o caso. A polícia, inclusive, está anunciando a volta de postos policiais em vários bairros da Zona Norte. Vai funcionar? Talvez diminua a sensação de insegurança. 7 – É preciso que a Prefeitura saiba que tem que atuar. Com a extinção da Secretaria de Segurança, a cidade perdeu um órgão que poderia centralizar programas e planejamento. Com a desorganização da assistência social, a cidade pode estar sofrendo com isso, e o crime é sensível a tal situação. Mas falta pesquisa.
Seminário
Finalmente, ele diz que o policiamento não está acompanhando o crescimento da cidade, e o crime está descentralizado. É só olhar com calma o que acontece com a Cidade Alta. Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas de Controle Social da Universidade Federal, André Gaio promoveu, há cerca de uma semana, uma série de debates em torno do tema, quando foram ouvidos juristas, representantes do Ministério Público e das áreas de segurança, como o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, coronel Ronaldo Nazareth.
Não interfere
Por decisão unânime, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu não interferir na definição da quantidade de vereadores por município para as eleições de 2012. Um estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios, e já apresentado pelo Painel, indica que pelo menos mil municípios já optaram pelo aumento para o próximo pleito, mas, em Juiz de Fora, a Câmara Municipal caminhou em sentido inverso. Por decisão de maioria, ficou resolvido manter sua representação em 19 vereadores. A pressão para aumentar, no entanto, continua.
Sem festa
O comércio não chegou a soltar fogos, mas considerou positivas as vendas para o Dia das Crianças. De acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas,Vandir Domingos, as vendas de outubro estão 5% maiores em relação ao mesmo período do ano passado. No comércio especializado em artigos para crianças houve crescimento de até 13%, enfatizou. De acordo com nota da CDL, os comerciantes do segmento infantil afirmam que o movimento poderia ter sido melhor se não houvesse paralisação dos bancários, pois houve insegurança financeira dos consumidores.





