Família de homem detido por desacato contesta versão da PM
Confusão aconteceu no último domingo, após desfile de bloco de carnaval no Jardim Glória
A família do homem de 38 anos que foi detido na noite de domingo (28) por, supostamente, ter desacatado policiais, após um bloco de carnaval no Jardim Glória, contesta a versão da Polícia Militar de que ele teria xingado os militares e chutado a viatura. Os familiares informaram à Tribuna que pretendem acionar a corregedoria da PM para denunciar os possíveis excessos por parte dos homens que atenderam o caso. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do 2º Batalhão da PM, que sustentou a versão de que houve desacato.
Segundo informações do boletim de ocorrência, o homem, que carregava um cooler, estava caminhando pelo meio da via, impedindo a passagem de veículos. Em uma viatura, militares teriam emitido sinal sonoro de “abrir caminho” por várias vezes, mas ele teria ignorado o aviso. A PM se aproximou para abordá-lo, mas o suspeito de desacato, que, de acordo com os policiais, cambaleava muito, teria se desequilibrado, batendo na parte frontal lateral da viatura e depois caindo no chão. Os militares disseram que saíram do veículo para prestar assistência ao homem, que os teria recebido com gritos e xingamentos.
O registro ainda diz que o indivíduo se queixava de ter sido atropelado e teria se exaltado ainda mais após a chegada de familiares, que também estavam nervosos. Ele, então, passou a desacatar a corporação que estava no local. Os policiais solicitaram reforço e algemaram o homem, que ofereceu resistência e foi conduzido à viatura para ser levado ao HPS. O homem ainda teria chutado a viatura diversas vezes antes de receber voz de prisão em flagrante pelo crime de desacato a autoridade, segundo a PM. O suspeito foi levado para a delegacia, onde assinou o termo de compromisso de comparecimento no juizado especial criminal e foi liberado.
Em entrevista à Tribuna, a irmã do homem, Bruna Rocha, 39, reconheceu que o irmão teria feito uso de bebida alcoólica e disse que não viu o momento em que ele foi atingido pela viatura, mas contesta a versão dos policiais militares. Ela contou que quando chegou ao local do ocorrido, pessoas diziam que o irmão teria sido atropelado e o encontrou no chão se queixando de dor e dizendo ao policial : “Você me atropelou, eu estou com dor”. Logo depois o agente teria algemado e dado voz de prisão a ele por desacato. Ela confirma que os familiares ficaram exaltados, mas afirma que, em nenhum momento, ofenderam, desacataram e agrediram os militares.”
“No momento em que chegamos lá, ele estava debaixo da viatura e o cooler do outro lado”, disse ela acrescentando que a outra irmã, 33, tentou se aproximar do preso para acompanhá-lo até o HPS. Ela, no entanto, teria sido afastada por um policial. Populares que estavam no local da confusão filmaram a ação da PM. O vídeo mostra uma confusão, mas não há registro do momento em que o homem foi atingido pela viatura.
Após receber alta do HPS, onde foi constatada uma luxação na perna do homem, ele foi conduzido à delegacia. Bruna relata que o irmão teria assinado o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e liberado em seguida. A reportagem tentou contato com o suspeito de ter cometido o desacato, mas todas as ligações foram direcionadas para a caixa de mensagens.
‘Não houve atropelamento’
De acordo com a assessora de comunicação do 2º Batalhão da PM, tenente Sandra Jabour, não houve atropelamento, mas, diante do questionamento do homem, ele foi levado ao HPS, onde não teria sido constatado qualquer ferimento. Sobre o questionamento da família de não poder acompanhar o homem na viatura até a unidade de saúde, ela destaca que trata-se de direito quando a pessoa é menor de 18 anos. “Não sendo assim, a família pode acompanhar o processo por meios próprios”, disse.
Outra questão levantada pelos familiares do detido é o fato de ele não ter sido ouvido pelo delegado de plantão. Conforme a tenente Sandra, crimes de menor potencial ofensivo são registrados pela própria PM, a fim de evitar que viaturas fiquem por horas na delegacia, aguardando o registro da Polícia Civil.








