De porta aberta

Petrillo abre sua galeria para novatos
A inserção no mercado de trabalho e o desenvolvimento profissional integram um árduo caminho nas mais diversas áreas. No campo das artes, os primeiros passos de um artista novato não é diferente. E viver exclusivamente da produção artística está cada vez mais difícil. "É importante diferenciar consumo de comércio de arte. Hoje é mais complicado viver dela no sentido da comercialização. No entanto, inúmeras outras portas se abrem para trabalhar nesse setor. É preciso enxergá-las", provoca o artista plástico e diretor do Instituto de Artes e Design da UFJF, Ricardo Cristófaro.
Enxergando essa característica, algumas iniciativas tentam divulgar o trabalho dos novos talentos. Uma delas é o Carne Fresca, edital da Galeria Hiato que está com inscrições abertas até sábado para que jovens artistas visuais possam mostrar a cara. Com o tema ‘O limite do novo’, esta segunda edição vai selecionar nove iniciantes e indicar um veterano para a exposição coletiva. "O importante é que os inscritos tenham Juiz de Fora como referência, já que pretendemos revelar nomes locais e abrir espaço para quem ainda não pôde mostrar a cara por aqui", explica o pintor Petrillo, responsável pela Hiato. Ele acredita que a oportunidade deve ser agarrada sem medo por quem está começando. "O tema deste ano aborda justamente a questão do limite do novo, vinculado ao medo de se arriscar. O importante é que os artistas não tenham medo das seleções, se arrisquem, porque o início é difícil mesmo", completa.
Outra iniciativa que, em breve, também promete colaborar com os artistas iniciantes parte da UFJF. Segundo o pró-reitor de Cultura da instituição, José Alberto Pinho Neves, o Museu de Artes Murilo Mendes (Mamm) tem a proposta de disponibilizar uma sala para funcionar como galeria para exposições temporárias de artistas locais e nacionais. A ideia é que a seleção seja por edital público, de forma que a instituição arque com a emissão de convites, custos de hospedagem, montagem e abertura.
Para Cristófaro, as propostas contribuem para a inserção dos novos profissionais e sevem como incentivo para outras ações nesse sentido. Pinho Neves ressalta ainda a importância de estimular atividades duradouras e que sejam executadas durante todo o ano nos espaços existentes na cidade. "Existindo espaço, gente produzindo e movimento contínuo, a circulação do trabalho e o mercado se encarregarão de avaliar a qualidade e definir quem vai se sobressair. Mas só o tempo vai responder sobre a permanência desta nova geração, porque também foi isso que nos trouxe a consciência da importância artística de Arlindo Daibert, Dnar e Carlos Bracher, dentre tantos outros."
Chega de visão romântica
A arte contemporânea experimental tende a não ser comercial por sua natureza, observa Ricardo Cristófaro. Por isso, ele defende que a visão romântica sobre o trabalho do artista seja substituída por um olhar crítico. "Para atuar nas artes plásticas, não é preciso ficar recluso ao ateliê e depois expor em galeria. É possível fazer intervenções urbanas, divulgar o trabalho pela internet, atuar em outras funções que não seja pintar, desenhar ou esculpir. O mercado também precisa de bons curadores, críticos e montadores de exposições."
Cristófaro explica que até mesmo os cursos superiores de artes foram se abrindo para essa característica. "Arte também é espaço de pesquisa e debate, que permite a apresentação de novas formas de inserção. Difícil é perceber isso." Tanto Cristófaro quanto o artista plástico Petrillo acreditam que o principal percalço dos novatos é escolher que caminho seguir e qual será o perfil imposto ao trabalho. "Depois que isso é definido, fica mais fácil selecionar em que editais, galerias e projetos aquela produção pode se encaixar."
É por esta razão que Petrillo ressalta ser importante buscar o traço autoral, sem tentar seguir a linha já desenvolvida por outros artistas. "É preciso estar antenado ao que acontece, mas experimentar novas linguagens também é fundamental. Arte não é como moda, que segue tendências. Cada artista tem seu repertório e deve criar o próprio estilo."
Ficar de olho nos editais, construir juízo crítico e estar disposto a se submeter a avaliações e a produzir de forma permanente são outras características que precisam ser desenvolvidas pelos novos talentos, de acordo com o pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves.









