Metalinguagem entre amigos
Ontem, o Duo SoaresCastro ainda queria mais. Trafegando com o que vêm saboreando em Juiz de Fora nos últimos anos, o pianista Rafael Castro e o violonista Lucas Soares juntaram o que de melhor entendem de repertório autoral durante atuação no Caxambu Mais Jazz. Nada diferente de um projeto alternativo e instrumental que vem viajando o Brasil, só que, para eles, não é só isso. Sonhamos e trabalhamos para esse dia chegar. É uma alegria imensa ver os frutos e o reconhecimentos de dedicação à música em que acreditamos, além da oportunidade de dividir o palco com grandes nomes da canção brasileira e mundial, os quais cresci ouvindo. Espero que nos abram ainda mais as portas e que possamos responder à altura, destaca Rafael Castro, referindo-se ao festival de Caxambu e ao que espera do BH Jazz, realizado na capital mineira amanhã.
De malas prontas para estrear por lá, não só Rafael Castro, como também Lucas Soares anseia para chegar a um dos maiores eventos do gênero do Brasil, em que o duo local dividirá a atenção com artistas renomados, como Yamandu Costa, Celso Blues Boy, Toquinho, Duofel e Daniel (Pipi) Piazzolla (o filho de Astor). Uma honra que gera grande ansiedade e felicidade. Significa que temos que focar no trabalho para poder mostrar o que desenvolvemos nesse anos de estrada, a nossa música, criada aqui em Juiz de Fora e, principalmente, curtir muito esse momento tão especial que esperamos, arremata Lucas Soares.
Em um show programado para ser quase todo autoral, Castro e Soares contarão ainda com a participação para lá de especial do compositor e pianista Túlio Mourão, curador do festival. Depois de nos apresentarmos com o grande Túlio Mourão, com o baixista Dudu Lima e com o pianista Ricardo Itaborahy em junho do ano passado, o encontro gerou boas críticas e ótima repercussão. Fomos contatados pela produção do festival por indicação do Túlio (que é nosso padrinho nesta empreitada) para sermos a revelação do festival, assegura Soares. A grande estrela do BH Jazz é a seleção rica de grandes músicos ao lado de jovens talentos, para mostrar todo o vigor da música instrumental de Minas Gerais e do mundo, responde Túlio, tratando ainda sobre a mostra que acontece, gratuitamente, na Praça da Liberdade.
Necessidade de expressão em metalinguagem. Dessa forma, Lucas Soares tenta definir a atmosfera perseguida por ele e seu comparsa. Da molecagem contagiante e da brincadeira, sob a tutela dos anos de estudo e dedicação à música, ele completa. Seja como for, o Duo SoaresCastro apresenta o jazz, a música instrumental, com forte influência da melodia brasileira, um formato alternativo aos clássicos trios, quartetos e quintetos jazzísticos. A busca da dupla, de acordo com Soares, prima pela construção dos arranjos e pela execução, trabalhando os temas com espaço para o improviso e as músicas autorais.
Quanto ao set list, a grande maioria comprova a versatilidade de quem pontua o frevo Sobrinha furada (L. Soares), o baião Conversa no alpendre (L. Soares), o samba Chute no sax (L. Soares) e Dança de outono (L. Soares e R. Castro). Serão apresentadas também versões para clássicos como Spain (Chick Corea) e Vera Cruz (Milton Nascimento e Márcio Borges).








