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Boca Livre se apresenta em Juiz de Fora


Por BRUNO CALIXTO

15/03/2012 às 06h00

"Toada" e "Quem tem a viola" são dois dos sucessos que garantiram fama, um disco de ouro e muitas histórias para o grupo carioca Boca Livre, atração de hoje no Cultural Bar. As canções foram gravadas em 1979 num formato (disco homônimo) independente, quando nem se falava em internet e seus derivados, como Sopa, Facebook ou MySpace. "Creio que cada vez mais a gente se conhece, já sabe muito bem como encontrar a melhor forma de trabalhar juntos. Essa integração se reflete tanto na escolha de repertório quanto na melhor maneira de fazer o arranjo de cada música", afirma o violonista e vocalista Zé Renato, frontman do grupo, formado ainda por Maurício Maestro (baixo, violão, arranjos e voz), Lourenço Baeta (violão, flauta, percussão, e voz) e David Tygel (viola de dez cordas e voz).

"Já atuamos com a Polygram e outras gravadoras, mas manter contratos com gravadoras está cada vez mais difícil, pois a gente não quer, e elas também não querem. A não ser quando é para uma parte do trabalho, como a distribuição", considera Maurício Maestro, confirmando o que há muito o mercado vem demonstrando. "Está muito difícil de vender. Só vendemos disco em shows", afirma.

Prometendo o fôlego do início, em 1978, a banda aporta em Juiz de Fora com outros hits que marcaram sua trajetória, como "Ponta de areia" e "Cruzada", além de versões para "O trenzinho do caipira", de Villa-Lobos, e "Caravana", de Geraldo Azevedo, ambas registradas no primeiro DVD do grupo (Universal Music, 2008).

Segundo Maestro, não há fórmula ou receita para manter composições no imaginário coletivo. "A única coisa que mudou no ato de compor foram os meios à disposição atualmente", diz. "O processo criativo é o mesmo. O segredo da longevidade é a fidelidade ao nosso gosto musical", observa.

Com a agenda de shows menos abarrotada, o Boca Livre, em breve, vai voltar às prateleiras, como anuncia Maurício Maestro. "Estamos finalizando o trabalho fonográfico que fizemos com composições do panamenho Rubén Blades, autor de canções latinas que trabalha como ator nos EUA", informa o músico, que, junto ao restante da trupe, havia gravado obras de Blades no álbum "Mundo", vencedor do Grammy 2002. "Ele entrou em contato com a gente, gravamos por aqui, e depois ele gravou sua voz no Panamá", completa. Em fase de mixagem e masterização e previsto para sair em 2012, o novo disco do Boca ("Breves minutos") privilegia aquilo que Zé Renato e sua turma, após 30 anos, fazem de melhor – cantar, tocar e compor.

Abrindo a noite, marcada para começar às 22h, o instrumentista Dudu Lima (baixo acústico, elétrico e fretless, arranjos e direção musical) volta a se juntar a Ricardo Itaborahy (piano, vocais e escaleta) e Leandro Scio (bateria) para apresentar o show do álbum "Dudu Lima", ao vivo, que chegou no final de 2011 ao mercado nos formatos LP, CD e DVD.

O Boca é de fato Livre. A liberdade das vozes é a sua marca musical, e a liberdade de ir e vir permite que seus integrantes possam visitar constantemente o mundo lá fora, para enriquecer sua própria música e, por consequência, a do grupo. "Muitas das letras novas que estão surgindo para serem gravadas por nós vêm dos trabalhos paralelos que mantemos. Esse trabalho solo é que impulsiona o coletivo", destaca Maurício Maestro. Ele cita que Zé Renato vive sua "bem-sucedida" carreira solo de cantor e compositor, Lourenço Baeta compõe, e David Tygel é um dos mais prolíficos autores de trilhas sonoras de cinema, enquanto ele ainda escreve arranjos.

Maestro diz que, mesmo mantendo o grupo, nos últimos meses, os encontros foram menos frequentes, até pela questão da distância, já que ele reside em Nova York com a esposa, Kate Lyra, filha do compositor Carlos Lyra. Por lá, ele revela, está fazendo muitos contatos. "Por meio desses encontros, gravei um CD (‘Upside dow’) em 2011 pela gravadora inglesa Sarout, com músicas minhas e a participação de Naná Vasconcelos na percussão e Kate nos vocais", detalha, sobre o álbum em que reuniu seis canções em inglês e cinco em português, porém com um único objetivo.

BOCA LIVRE

Hoje, às 22h – Cultural Bar (Av. Deusdedit Salgado 3.955)

Abertura com Dudu Lima Trio