Eclética e sem limites
No terceiro final de semana da 11ª Campanha de Popularização, os espectadores, já acostumados ao clima teatral que se instaura na cidade, têm outras 23 possibilidades de estar diante de um palco. Ou de um espaço alternativo de encenação, já que as atrizes Raphaela Ramos (também repórter da Tribuna) e Carú Rezende levam para os cômodos da Casa de Cultura, de quinta a domingo, a montagem itinerante Coisas da atriz. Baseado no livro de poesias homônimo, lançado por Raphaela em 2010, o espetáculo passeia pela trajetória de uma atriz que nasce atuando, cansa-se do amor representado, frustra-se com o amor legítimo e retorna à ribalta para se transformar. Não se sabe se são duas atrizes, se é a mesma espelhada ou a mesma dividida, adianta Carú.
A metalinguagem também aparece na montagem Sete minutos, da Companhia Teatral Fazendo Arte. O texto, escrito por Antonio Fagundes a partir de fatos verdadeiros, discute a relação entre intérprete e espectador. Segundo o diretor Cristiano Fernandes, a peça pretende comprovar que a arte ultrapassa os setes minutos do título, tempo máximo de atenção que as pessoas conseguem dedicar a algum assunto hoje. O teatro quer o tempo da alma, comenta ele. Em cena, um artista experiente, não suportando os incontáveis desrespeitos da plateia, interrompe o espetáculo Macbeth, de William Shakespeare, e segue para o camarim.
A peça A vida em pedaços é definida pelo grupo CriArte como uma colagem teatral. Fragmentos dramáticos, inspirados em filmes e obras literárias, levam à reflexão de valores e vícios. Do amor ao ódio, da humildade ao orgulho, a produção trafega por intimidades próprias de todo ser humano. A trupe, capitaneada por Anderson Ferigate, também apresenta a infantil A fábula de Pedro e o lobo, com texto baseado em folclore russo. Para as crianças, há ainda as opções Maria Minhoca, da Cia. Teatral Fazendo Arte, e Respeito é bom, e eu gosto, do grupo Ao Vivo Contadores de Histórias.
A comédia, como sempre, tem espaço na campanha. Para quem não dispensa boas risadas, Ponto GG, com Gueminho Bernardes e Gustavo Mendes, oferece uma inusitada conferência a respeito do sexo – origens, diferenças e práticas. Gueminho se desdobra fazendo ainda um solo, Como fracassar na vida e ser infeliz no amor, e atuando com o TQ em Tropa de Elite 2 – da Guarda Municipal da Nova Juiz de Fora. Outras produções, que estiveram em cartaz nos finais de semana anteriores, estão de volta: Rapidinhas, Minha sogra é um pitbull e Velório à brasileira, de Cláudio Ramos.
Esta edição da campanha vendeu, até a tarde de quarta, cerca de seis mil ingressos. Segundo Cristiano Fernandes, presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac/JF), os teatros estão ficando cheios, inclusive o Pró-Música, com 500 lugares. Os ingressos para o único espetáculo de dança deste ano, Retalhos, do Estúdio de Danças Silvana Marques, esgotaram-se nos três dias de apresentação. Isso mostra que as pessoas valorizam a presença dessa arte na campanha, conclui Cristiano. O presidente também destaca a boa aceitação do teatro de rua, que, de acordo com ele, lotou o Parque Halfeld no último sábado. A Apac aguarda reunir 15 mil espectadores até o fim do evento, que tem performances programadas até o dia 12 de fevereiro. O trailer de vendas funciona diariamente, das 10h às 19h, e oferece os convites por R$ 6. Na hora das sessões, o preço passa a ser R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).








