Caiu na rede é música
A 24 dias do lançamento do primeiro CD ("Visco um"), a jovem banda Visco estreia, hoje, sua primeira investida virtual rumo à divulgação do trabalho do grupo na web. Com o intervalo de quatro dias, o site oficial disponibilizará um videoclipe aos fãs até completar as 11 faixas compiladas no disco, previsto para ficar pronto no dia 5 de maio. "Queríamos realizar um pré-lançamento dinâmico, de modo que o público fosse conhecendo aos poucos as músicas e não todas de uma vez só, como será apresentado no show de lançamento", justifica o guitarrista Jean Michel. Assim como a Visco, outras bandas locais – atuando ou não na cidade – se mantêm na rede. E embora o propósito de seguir na maré do circuito independente, utilizando plataformas digitais para alcançar o público, não seja uma novidade, consolidar sua marca frente às crises de um mercado fonográfico mutilado pela pirataria ainda serve de norte para a antiga e a nova geração da música.
Um exemplo é a local Onze:20. Victor Hugo (vocais), Athos Santos (teclado), Fábio Mendes (bateria), Marlos Vinicius (baixo), Chris Baumgratz (guitarra) e Lulu Trombini (guitarra) partiram para São Paulo há um ano e meio, conduzidos pelo produtor Rick Bonadio, com quem não trabalham mais. "Depois desse tempo em São Paulo, preferimos lançar nosso trabalho de maneira independente mesmo, todo produzido em casa", ressalta Victor Hugo, informando sobre as diferentes formas em que o Onze:20 aparece na web e o aplicativo homônimo para iPad e iPhone. "Rick foi um grande incentivador e apoiador da banda", diz. "Mas fazer parte de um ‘esquemão’ assim envolve muitas outras coisas, e a internet está aí para isso", completa, sem detalhar motivos e razões do rompimento com Bonadio.
Comemorando mais de 4.500 downloads no dia do lançamento virtual do CD "A nossa barraca" (no site oficial), quase 16 mil acessos no YouTube (para o áudio de "Meu lugar") em menos de dois meses e mais de oito mil seguidores no Facebook, Hugo garante que qualquer conteúdo do site pode ser baixado. Na contramão da solução "caseira" de alimentar o próprio site, Zebu (voz), Bizorro (bateria), Gui (guitarra) e Rafa (baixo), da Fungos Funk, apostaram no YouTube, de onde, inclusive, os músicos vêm recebendo retorno financeiro. "De acordo com a exibição, o artista ganha uma certa porcentagem, diferentemente do que acontece em programas de TV e outros meios, onde o retorno é apenas a divulgação mesmo", considera Bizorro. "Já tivemos por anos um site da banda, mas hoje em dia as redes sociais são a maior ferramenta para se trabalhar na internet", conclui.
Com quatro videoclipes registrados em canal próprio no YouTube, a Fungos Funk estreou na plataforma com "Zica", em 2004, e de lá para cá teve cerca de 20 mil acessos para o vídeo, um dos mais exibidos numa época em que a internet estava longe de se tornar a menina dos olhos do mainstream. "Se antes tínhamos um mailing gigantesco com o qual praticávamos ‘spam’, de uma maneira muito impessoal, hoje nos relacionamos melhor com amigos da banda, pessoas que gostam da gente, outros grupos, contratantes e mesmo a imprensa", destaca o vocalista do Martiataka e editor da Tribuna, Wendell (Del) Guiducci. O YouTube, para a banda, também tem sido útil, tanto para divulgar lançamentos quanto para mostrar antigos trabalhos. "E não nos prendemos aos videoclipes, também postamos outros tipos de vídeos para chamar atenção para nossa música, como trechos de shows, ‘teasers’ e até receita de ‘irish coffee’", diverte-se Guiducci.
Previsto para ser lançado no próximo dia 31, com show no Café Muzik, o disco "Marginal" traz "Urgente", primeiro single que o Martiataka soltou no Facebook, com o clipe da música no YouTube, que alcançou 650 exibições nos três primeiros dias. Com isso, o grupo lançou em seguida o mp3 de "Lugares escondidos", segundo single de "Marginal", no Facebook, o que, conforme o baixista Thiago Salomão, é o resultado do desdobramento positivo de "Urgente" na rede. Ainda deve surgir na internet o videoclipe de "Danny Trejo", faixa do disco novo que homenageia o mal-encarado astro dos filmes de Robert Rodriguez.
A menos de um mês do aniversário de 11 anos, o Martiataka, que realizou os primeiros shows em grandes centros a partir de contatos no finado Fotolog, investe no acesso de todo o seu conteúdo no Facebook para manter forte o nome da banda na cena do rock independente, mas também disponibiliza sua produção no site oficial. Também com 11 anos de estrada, o Fungos Funk sempre foi independente, utilizando a internet como opção primeira para lançamentos, principalmente no que diz respeito aos videoclipes do grupo.
Com quase metade da idade dos veteranos, as bandas Onze:20 e Visco estão presentes na maioria das redes sociais. Mas o grupo formado por Daniel Marques (voz), Jean Michel (guitarra), Roney Gonçalves (baixo) e Michel Pedretti (bateria) também aposta na criação de um hotsite – capaz de abrigar toda a produção, sem o limite de espaço imposto por plataformas como SoundCoud e MySpace. "A ideia do site precede a dos vídeos", explica Daniel Marques, sobre o formato da página, que incluirá informações sobre o grupo e imagens. "A expectativa é grande, e confiamos muito nos vídeos. Estamos também à procura de parcerias para colaborar na divulgação, em troca até de anunciar a empresa no nosso site", anuncia Jean Michel.
Roney Gonçalves reforça que, além de transpor as barreiras impostas pelo mercado tradicional, a internet é a "zona livre", em que o público interage mais. "Vai todo mundo chegar ao show sabendo as letras", dispara o baixista, afirmando que, após o lançamento do CD, produzido com recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, a ideia é transformar o conteúdo disponibilizado na web em um DVD a ser lançado no fim do ano.









