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Diversidade convergente


Por RENATA DELAGE

09/03/2012 às 06h00

A diversidade vinda com a chegada da contemporaneidade artística é retratada na exposição "Anos 60/70 – Arte brasileira", em cartaz a partir de hoje no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), com curadoria de José Alberto Pinho Neves e expografia de Paulo Alvarez e Gustavo Machado. A Galeria Convergência abriga obras de artistas de relevância e técnicas distintas, como Gilvan Samico, Décio Noviello, José Alberto Nemer, Márcio Sampaio, Almir Mavignier, Arlindo Daibert, Marcos Coelho Benjamin e Ascânio MMM. "Obras do acervo do Mamm dividem a galeria com peças de particulares, colecionadores e artistas como Sampaio, Nemer e Noviello, todos estes mineiros, expoentes da época", explica Paulo Alvarez.

Considerada um "período vital para as artes brasileiras" por Roberto Pontual em "Arte brasileira contemporânea", referência na mostra, os anos 60 se caracterizam pela retomada do figurativo nos trabalhos dos artistas plásticos brasileiros. Os espaços alternativos também passam a se destacar, na segunda metade da década, como palco de exposições e performances artísticas. Já os 70 são marcados pela diluição dos movimentos artísticos, menos coesos, e pelo destaque da questão gráfica, sobretudo, do desenho.

"São anos de afirmação da arte brasileira, que nesta época possui influências de uma tendência internacional, mas assume um viés político, particularidade da produção conceitual brasileira. Ela é silenciosa, investe muito na contemplação, mas, de certo modo, é revestida de uma intencionalidade oculta", explica Ricardo Cristofaro, artista plástico e diretor do Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF. As rupturas com a arte moderna, do início do século XX, e com as vanguardas modernistas estavam se consolidando, reflexo da efervescência política e das novas ideias que traziam movimentos e estilos múltiplos.

Transitando entre a geometrização da arte e a alusão às questões futuristas, a mostra traz trabalhos inseridos no mundo da "optical art" ou "op art", "braço de uma aproximação histórica com as novas tecnologias e a ciência", segundo Cristofaro. "O século XX é revestido de várias tendências, e em diversos momentos se estreitam as aproximações com correntes mais tecnológicas, caso da ‘op art’". Neste contexto se enquadram os trabalhos de Almir Mavignier, que figuram como "algumas das últimas obras brasileiras adquiridas pelo acervo de Murilo Mendes", explica Paulo.

Em sua vertente brasileira, a pop art, reflexiva em relação ao momento político, também é retratada nas peças de Décio Noviello. "Posterior à norte-americana, a pop art nacional apresenta boa parte de seu conteúdo mais presa ao imaginário da tortura, da violência, da opressão, vindo com a ditadura, característica diferente das imagens e símbolos midiáticos da sociedade de consumo americana, que viveu um período de euforia e expansão no pós-guerra", completa Cristofaro.

Rústicas e permeadas de fantasia, típicas da cultura popular, as xilogravuras – técnica utilizada por Gilvan Samico – acusam a presença dos traços regionalistas nas obras dos anos 70. Também fugindo à tendência dos desenhos, como nos exemplares expostos de Arlindo Daibert, a pintura de Márcio Sampaio é um dos destaques da sessão reservada aos grandes nomes mineiros das duas décadas.

ANOS 60/70 – ARTE BRASILEIRA

Terça a sexta, das 10h às 18h, sábado e domingo, das 13h às 18h

Museu de Arte Murilo Mendes

(Rua Benjamin Constant 790 – Centro)

3229-9070