No tempo do lança-perfume
Festas de salão, marchinhas, dedos indicadores para cima e muito lança-perfume. Graças à memória e à fotografia, a poesia dos antigos carnavais chega intacta aos dias atuais. Os tempos eram outros, mas as fantasias já apresentavam muitos temas vistos hoje nos cortejos. Baianas, marinheiros, ciganas, caubóis e outras figuras atravessam os anos com a mesma animação. Isso é o que comprova três exposições em cartaz na cidade dedicadas aos festejos do século passado.
Na Galeria de Arte do Forum da Cultura, a mostra No baú da folia reúne imagens de famílias, blocos e escolas de samba de Juiz de Fora. O material, em grande parte cedido pelo público, exibe foliões e pessoas fantasiadas em poses. As fotos foram tiradas entre 1930 e 1950, quando ainda havia nas ruas e nos salões de clubes o lança-perfume, uma mania proibida na década de 1960 por ser considerada entorpecente.
Já o Museu de Cultura Popular da instituição traz a exposição Tem carnaval, com oito máscaras e 29 réplicas de fantasias. Das 37 peças, 21 foram confeccionadas pelo núcleo de pesquisa de memória iconográfica do Grupo Divulgação. Entre os itens, está uma porta-bandeira com traje nas cores do arco-íris. Segundo o diretor do Forum José Luiz Ribeiro, ela representa todas as escolas de samba da Festa de Momo. Miniaturas de foliões do bloco local Domésticas de Luxo também estão presentes na seleção, que resgata a época na qual os italianos introduziram os bailes de máscaras no Brasil, nos anos 1940. Dividida por temas, a mostra agrupa personagens venezianos, da Commedia dell’Arte italiana, da música popular e do imaginário infantil.
No baú da folia exibe ainda fotografias do acervo Carriço Film, cedidas pelo Museu Mariano Procópio. De acordo com José Luiz Ribeiro, os registros relembram uma cidade onde grupos fantasiados formavam blocos que saíam do Sport Club para visitar o Clube Bom Pastor ou o Tupi, e vice-versa.
Imagens da empresa cinematográfica de João Gonçalves Carriço, pioneiro do cinejornalismo brasileiro, também podem ser apreciadas na exposição Antigos carnavais pelas lentes de Carriço, em cartaz no Parque do Museu Mariano Procópio. Com 17 fotos (algumas colorizadas por meio de pintura manual com tinta Ecoline) de cortejos das décadas de 1930 e 1940, o evento descortina costumes de outros tempos. O material faz parte de um acervo de 3.100 registros produzidos pela Carriço Film, que cobriu o carnaval local de 1933 a 1956, sendo importante instrumento para a valorização da memória de Juiz de Fora.









